O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou depoimento nesta quarta-feira (8) à CPI do Crime Organizado no Senado, convocado para explicar como a autoridade monetária atuou no caso do Banco Master.
Enquanto Galípolo ocupava a tribuna, o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto brilhava pela ausência pela terceira vez consecutiva — mesmo após ser formalmente convocado pela comissão.
Por que Galípolo foi convocado à CPI
O convite ao presidente do BC partiu de requerimento do senador Eduardo Girão (Novo-CE), motivado pela revelação de uma reunião no Palácio do Planalto entre Galípolo, o presidente Lula e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O senador questionou a finalidade institucional do encontro — e a CPI quis ouvir a versão do chefe da autoridade monetária diretamente.
Galípolo defendeu sua conduta: afirmou ter sido orientado a agir de forma técnica diante das declarações de Vorcaro de que o Banco Master estaria sofrendo perseguição no mercado financeiro.
O banco havia sido liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, um dia após a Polícia Federal deflagrar uma operação contra Vorcaro por suspeita de venda de carteiras de crédito sem garantias. A crise, porém, não parou por aí: Vorcaro foi preso pela terceira vez em março, em operação que revelou fraudes de até R$ 12 bilhões e um esquema de carteiras de crédito fabricadas.
A testemunha que não aparece
Roberto Campos Neto foi convocado por requerimento do relator Alessandro Vieira (MDB-SE), que o classifica como “testemunha qualificada” para explicar os critérios de idoneidade exigidos de controladores de bancos e a suposta demora do BC em investigar as irregularidades no Master.
O requerimento destaca que, em 2019, o Banco Central autorizou Vorcaro a assumir o controle do antigo Banco Máxima — depois rebatizado de Banco Master. Campos Neto presidiu a instituição entre 2019 e 2025, exatamente o período em que surgiram as primeiras suspeitas contra o banco de Vorcaro.
A oitiva desta quarta integra um cerco institucional que já havia se desenhado em março, quando a CPMI do INSS também convidou Galípolo e Campos Neto para depor sobre o ecossistema do Banco Master.
A sequência de faltas de Campos Neto vai além da última sessão: na reunião de 31 de março, ele também não compareceu à CPI, consolidando um padrão que agora chega à terceira convocação sem resposta.
No centro das investigações está a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura se servidores do Banco Central agiram ilegalmente para proteger os interesses do Master. A operação é citada diretamente no requerimento da CPI e amplia o escopo das responsabilidades institucionais que a comissão busca apurar — com ou sem a presença do ex-presidente do BC.
