Política

Fachin rebate relatório dos EUA e defende limites da liberdade de expressão no Brasil

Presidente do STF diz que ordens de remoção de conteúdo combatem milícias digitais, não censura, e promete resposta diplomática ao Congresso americano
Edson Fachin e STF: defesa de liberdade de expressão ante relatório americano controverso

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, divulgou nesta quarta-feira (2) nota oficial rebatendo relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA que acusa o Brasil de violar a liberdade de expressão.

O documento aponta supostas violações e critica decisões do ministro Alexandre de Moraes. Para Fachin, o texto apresenta “caracterizações distorcidas” sobre o alcance das decisões do Supremo.

O presidente do STF sustenta que a liberdade de expressão é garantida pela Constituição Federal, mas não é absoluta — pode ser restringida quando usada como escudo para a prática de crimes.

Moraes e as milícias digitais

Fachin esclarece que as ordens de remoção de conteúdo em redes sociais determinadas por Moraes estão vinculadas a investigações sobre o uso criminoso das plataformas por milícias digitais. As medidas cautelares foram adotadas em inquéritos que apuram crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa.

Ao rebater o Congresso americano, Fachin reiterou que o STF e seus integrantes atuam em defesa da independência entre os poderes e observam rigorosamente os preceitos constitucionais. A resposta formal ao comitê será feita pelos canais diplomáticos.

Histórico de proteção às liberdades

A nota cita o julgamento da ADPF 548, em que o STF derrubou interpretações da legislação eleitoral que permitiam a censura de manifestações políticas em universidades durante as eleições de 2018, como exemplo concreto de atuação do tribunal em favor das liberdades.

Fachin lembrou que a Constituição de 1988 instituiu um sistema robusto de proteção às liberdades de expressão, de informação e de imprensa, com previsão em múltiplos dispositivos constitucionais, e que nas últimas décadas o STF atuou para impedir restrições indevidas a esses direitos.

Parte expressiva da nota é dedicada ao julgamento do Marco Civil da Internet, concluído em 26 de junho de 2025, quando o STF declarou a inconstitucionalidade parcial de um artigo da lei por entender que a norma não oferecia proteção suficiente a direitos fundamentais e à democracia.

A Corte manteve a regra geral de responsabilização das plataformas mediante ordem judicial, mas criou exceções para casos de crimes evidentes, anúncios pagos e redes artificiais de distribuição massiva de conteúdo criminoso. Para crimes gravíssimos — como terrorismo, pornografia infantil, tráfico de pessoas e crimes contra a democracia —, as plataformas podem ser responsabilizadas por falha sistêmica.

Segundo Fachin, o modelo adotado está alinhado a práticas internacionais, incluindo legislações dos Estados Unidos e da União Europeia, e busca equilibrar a responsabilização das plataformas com a preservação da liberdade de expressão.

Fachin já havia defendido em março que um Judiciário independente é indispensável para proteger direitos fundamentais — argumento que retoma agora ao rebater as críticas externas ao STF e justificar a atuação da Corte no ambiente digital.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Ex-procurador do INSS propõe delação e mira fraudes do Master em consignados

Brasil supera os EUA em liberdade de imprensa pela 1ª vez, aponta RSF

Prazo para isenção da taxa do Enem 2026 encerra hoje às 23h59

Condenado pela Lava Jato viajou no voo do Caribe com Hugo Motta e Ciro Nogueira