O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, tem novo destino marcado para esta segunda-feira (30): o leilão de venda assistida conduzido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) na B3, em São Paulo, a partir das 15h.
Quem vencer a disputa pela maior oferta terá de investir ao menos R$ 932,8 milhões e assumirá o controle integral da concessão — herdando contratos, dívidas, direitos e obrigações do terminal.
Como funciona a venda assistida
Hoje, a concessão do Galeão está dividida entre a RIOgaleão — consórcio formado pela Vinci Airports e pela Changi Airports, com 51% das ações — e a Infraero, que detém os 49% restantes. Com a operação, ambas deixam o negócio.
O modelo de venda assistida foi acordado entre o governo federal, a RIOgaleão e o Tribunal de Contas da União (TCU). O arranjo surgiu como saída após impasses que emperravam a saída dos atuais sócios e substituiu o formato original de concessão firmado em 2013.
As mudanças contratuais foram desenhadas para tornar o ativo mais atrativo a novos investidores. O vencedor poderá explorar, manter e ampliar a infraestrutura do aeroporto durante toda a vigência da concessão.
Passageiros em alta, capacidade ociosa
Em 2025, o Galeão recebeu 17,9 milhões de passageiros — alta de 23,4% em relação aos 14,5 milhões de 2024, com média de 49 mil viajantes por dia. O crescimento sustentado é um dos argumentos centrais da oferta do ativo, mesmo com o aeroporto ainda bem abaixo de sua capacidade instalada de 37 milhões de passageiros por ano.
A diferença entre o volume atual e a capacidade do aeroporto aponta tanto para o desafio operacional quanto para o potencial de valorização da concessão: há espaço para mais que dobrar o número de passageiros sem ampliar a estrutura física.
No dia a dia, o Galeão registra cerca de 340 voos domésticos e 110 voos internacionais, entre pousos e decolagens — posição que o mantém como principal portal aéreo internacional do Rio de Janeiro, disputando tráfego com o Aeroporto Santos Dumont.
O resultado do leilão desta segunda deve sinalizar o apetite do mercado por infraestrutura aeroportuária no Brasil, num momento em que o setor de aviação civil acumula recordes sucessivos de demanda.
