O barril de petróleo Brent chegou a US$ 115,93 nesta segunda-feira, renovando o maior patamar desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, deflagrada em 28 de fevereiro.
O WTI, referência americana, avançou 3,50% — para US$ 103,13 — logo após a abertura dos mercados asiáticos. O conflito sem previsão de encerramento segue como principal motor da alta.
No Brasil, o impacto já chega às bombas: o diesel subiu 2,62% em uma semana e é vendido a R$ 7,45 o litro, segundo dados da ANP divulgados na sexta-feira (25).
Preços renovam pico em meio à escalada do conflito
Esta não é a primeira vez que o Brent atinge essa faixa desde o início da guerra. Na quinta-feira (19), o barril chegou a US$ 114,45 após ataques a reservas de energia no Oriente Médio — a mesma escalada que agora empurra o petróleo de volta aos US$ 115. Naquele episódio, os contratos futuros já reagiam à deterioração do conflito, sem que os preços voltassem aos patamares anteriores.
Desde o início do conflito, o barril acumula alta superior a 40%. O Brent ainda estava abaixo de US$ 80 em 28 de fevereiro, e a escalada semanal não dá sinais de arrefecimento enquanto os combates seguem intensos em toda a região.
Neste domingo (29), o Irã declarou estar pronto para reagir a um possível ataque terrestre americano, acusando Washington de planejar uma ofensiva enquanto mantém conversas diplomáticas abertas. O jornal Washington Post informou que o Pentágono estuda operações terrestres que poderiam incluir forças especiais e tropas convencionais — sem confirmação de que o presidente Donald Trump autorizará o plano.
O secretário de Estado Marco Rubio disse que os EUA podem atingir seus objetivos sem tropas em solo, mas ressaltou que o envio de fuzileiros amplia as opções do governo. O primeiro de dois contingentes chegou à região na sexta-feira (27) a bordo de um navio de assalto anfíbio.
Diesel nas bombas e negociações sem avanço concreto
Desde que o petróleo ultrapassou US$ 100, analistas alertam que os reajustes represados têm prazo — e o diesel já mostra o peso da crise: alta de 2,62% em uma semana, chegando a R$ 7,45 o litro nos postos brasileiros, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
No front diplomático, o Paquistão tenta atuar como mediador entre Washington e Teerã e sediou negociações neste domingo. O primeiro-ministro paquistanês conversou com o presidente iraniano no sábado, e o chanceler reuniu-se com representantes da Turquia e do Egito antes das conversas mais amplas. O país vem se consolidando como canal privilegiado por manter relações próximas com os dois lados.
A Turquia lidera uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz, medida considerada essencial para reduzir as tensões. Os EUA apresentaram um plano de cessar-fogo com 15 pontos, incluindo a reabertura do estreito e limites ao programa nuclear iraniano. O Irã rejeitou a proposta e apresentou suas próprias condições. Enquanto as negociações avançam lentamente, os combates seguem intensos.
Neste domingo, a fábrica Adama, produtora de insumos agrícolas no sul de Israel, foi atingida por um míssil iraniano ou por seus destroços. Não houve feridos na unidade Makhteshim.
