O petróleo Brent chegou a US$ 104,73 por barril nesta segunda-feira (16), acumulando alta superior a 40% desde o início da guerra entre EUA-Israel e o Irã, que entra em sua terceira semana.
O conflito intensificou novos ataques iranianos a países do Golfo Pérsico e mantém bloqueado o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto de todo o petróleo mundial.
O petróleo bruto americano (WTI) também subiu, chegando a US$ 99,68 — valorização acumulada de quase 50% desde o início do conflito.
O bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã, em resposta aos ataques da coalizão EUA-Israel, retirou mais de 12 milhões de barris equivalentes por dia do mercado em pouco mais de uma semana, segundo a consultoria independente Rystad Energy. Pelo estreito passa normalmente um quinto de toda a produção global de petróleo.
O isolamento forçou produtores do Golfo a cortar sua própria extração por falta de rotas alternativas viáveis. Alguns navios-tanque foram relatados atravessando o canal, mas a incerteza sobre o fluxo comercial persiste.
Reservas emergenciais e os limites da resposta internacional
A Agência Internacional de Energia (AIE) autorizou a liberação de um volume recorde de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de seus países-membros. A medida, porém, foi pouco eficaz para conter a especulação: quando a guerra começou, em 28 de fevereiro, o barril saiu de US$ 72 para mais de US$ 80 no primeiro dia — e em menos de três semanas a alta acumulada já ultrapassa 40%.
O Brent chegou a abrir a sessão desta segunda-feira acima de US$ 106, mas recuou para fechar próximo de US$ 104,73. Na segunda semana do conflito, o barril chegou perto de US$ 120 e as bolsas globais despencaram — desde então o preço recuou, mas segue acima de três dígitos.
Caso o conflito continue a prejudicar a produção e o transporte de petróleo do Golfo Pérsico, analistas e organismos internacionais alertam para o risco de uma espiral inflacionária de alcance global.
Pressão inflacionária e o impasse do Federal Reserve
A disparada do petróleo compromete diretamente a política monetária americana. O Federal Reserve se reúne esta semana sem qualquer expectativa de corte de juros. Dados de janeiro já indicavam inflação ao consumidor em 2,8% ao ano; excluindo alimentos e energia, o núcleo subiu 3,1% — o maior avanço em quase dois anos, antes mesmo do agravamento do conflito.
A confiança do consumidor americano, medida pela Universidade de Michigan, atingiu o menor nível do ano, pressionada pelo encarecimento da gasolina. O PIB dos EUA cresceu apenas 0,7% ao ano no quarto trimestre de 2025 — revisão abaixo da estimativa inicial —, impactado também por uma paralisação do governo federal que durou 43 dias.
Bolsas asiáticas e futuros de Wall Street
Os mercados asiáticos operaram mistos nesta segunda-feira: Nikkei 225 recuou 0,4%; Hang Seng subiu 1,1%; Kospi avançou 0,6%; e o índice de Xangai caiu 0,7%. Os futuros americanos avançaram — S&P 500 +0,5% e Dow Jones +0,4% —, após a sexta-feira encerrar com o S&P 500 em queda de 0,6%, acumulando recuo de 3,1% no ano.
Na semana passada, novos ataques iranianos ao Estreito de Ormuz fizeram o barril cruzar os US$ 100, levando a AIE a aprovar a maior liberação de reservas emergenciais da história — 400 milhões de barris —, operação que, até o momento, não estabilizou as cotações.
No câmbio, o dólar recuou para 159,47 ienes e o euro avançou para US$ 1,1442, refletindo a cautela dos investidores diante da escalada geopolítica.