Economia

Copom corta Selic para 14,75% ao ano pela primeira vez desde 2024

Corte de 0,25 ponto percentual era esperado pelo mercado, mas Comitê evita sinalizar novos passos com guerra no Oriente Médio em aberto
Torre do Banco Central, mapa do Oriente Médio e barril de petróleo: Copom corta Selic 14,75% ao ano

O Banco Central reduziu nesta quarta-feira (18) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. A decisão encerra um ciclo de manutenção que durava desde maio de 2024 e atende à expectativa predominante do mercado financeiro.

O Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que o corte é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta, mas evitou sinalizar novos cortes diante das incertezas geradas pelos conflitos no Oriente Médio.

Petróleo e guerra condicionam o comunicado

O principal fator de cautela explicitado pelo Copom é o conflito no Oriente Médio. Dois dias antes da decisão, a disparada do petróleo acima de US$ 100 já havia levado o mercado a revisar para baixo a aposta em um corte maior da Selic nesta reunião. O barril, que estava em torno de US$ 72 antes dos conflitos, subiu para mais de US$ 100 — pressionando os preços dos combustíveis no Brasil, mesmo sem reajustes anunciados pela Petrobras.

O Copom declarou que os riscos para a inflação “se intensificaram após o início dos conflitos” e que considera seus impactos de forma prospectiva, especialmente sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente os preços no Brasil. A linguagem do comunicado deixa os próximos passos condicionados à evolução do cenário geopolítico.

A reunião desta quarta também foi marcada por ausências: os diretores Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Diogo Guillen (Política Econômica) deixaram o cargo e o governo ainda não indicou substitutos, reduzindo o colégio de votantes em dois membros.

Como o BC calibra os juros

O Banco Central opera sob o sistema de metas contínuas desde 2025, com objetivo de 3% e banda entre 1,5% e 4,5%. Ao definir a Selic, a instituição mira as projeções de inflação — não a variação corrente —, pois as mudanças demoram de seis a 18 meses para ter efeito pleno na economia. Neste ciclo, o BC já projeta considerando o terceiro trimestre de 2027.

O crescimento de apenas 2,3% em 2025 — o pior desde a pandemia — é um dos efeitos da Selic elevada que o Copom agora começa, ainda que cautelosamente, a reverter. A queda nos juros alivia o custo do crédito e pode estimular consumo e investimento, mas o espaço para cortes mais agressivos depende de estabilidade no front externo.

A expectativa do mercado para a inflação em 2026 já havia subido na semana passada — reflexo direto da pressão dos combustíveis. O Copom reconhece que a população mais pobre é a mais afetada pelas pressões inflacionárias, o que torna o equilíbrio entre reduzir juros e controlar preços especialmente delicado neste contexto.

O Banco Central já havia sido obrigado a divulgar carta pública após a inflação ficar seis meses seguidos acima da meta. O corte desta quarta sinaliza que a autoridade monetária acredita ter espaço para iniciar, com cautela, a reversão do ciclo restritivo — mas a continuidade do processo dependerá dos próximos dados econômicos e da evolução da guerra.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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