O banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero, sinalizou à Polícia Federal o interesse em firmar um acordo de delação premiada. A informação foi revelada pela TV Globo.
Seu advogado, José Luís Oliveira Lima, o Juca, teria ido pessoalmente à PF comunicar que Vorcaro não pretende poupar ninguém — e que está disposto a entregar todas as informações que possui.
No mesmo dia, o ministro André Mendonça, do STF, prorrogou por 60 dias o inquérito que investiga o esquema de fraudes do Banco Master, atendendo a pedido da própria PF.
O perfil do advogado e o peso da sinalização
Na última sexta-feira (13), a contratação de Juca para a defesa de Vorcaro já havia acendido alerta no Palácio do Planalto — o advogado é especialista em acordos de colaboração premiada e carrega no currículo casos emblemáticos da Lava Jato, incluindo o do empreiteiro Léo Pinheiro, da construtora OAS.
Questionado sobre o assunto, Oliveira Lima disse apenas que não comentará o caso por ora, citando a “sensibilidade do caso”. A resposta, por si só, não desmente a movimentação relatada pela TV Globo.
Uma eventual colaboração de Vorcaro poderia abrir novos caminhos para a investigação. Os policiais apuram a fabricação de carteiras de crédito falsas, o desvio de recursos para o patrimônio pessoal dos envolvidos e a infiltração em órgãos reguladores. Os prejuízos estimados ultrapassam R$ 12 bilhões.
Por que a PF pediu mais tempo
A prorrogação do inquérito foi solicitada sob argumento de que ainda há “diligências imprescindíveis” a realizar. Investigadores já sinalizavam que apenas 10% dos mais de 100 celulares apreendidos na Compliance Zero haviam sido periciados — volume de evidências que sustenta o pedido por mais 60 dias.
Entre o material apreendido estão documentos, computadores e oito aparelhos do próprio Vorcaro. A análise pericial desses dispositivos é considerada central para elucidar o funcionamento do esquema.
O histórico da Compliance Zero
A operação foi deflagrada em novembro de 2025, com mandados contra a cúpula do Banco Master. Em janeiro de 2026, uma nova fase focou no rastreamento de ativos e resultou no bloqueio de R$ 5,7 bilhões — além de 15 mandados de busca em endereços de Vorcaro e familiares, com apreensão de carros de luxo e dinheiro em espécie.
A pressão que empurra Vorcaro em direção a um acordo ganhou forma concreta em 4 de março, quando o STF autorizou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens e revelou a estrutura chamada ‘A Turma’, usada para monitorar e intimidar adversários e jornalistas que investigavam o banco.
Nessa fase mais recente, também vieram à tona suspeitas sobre servidores do Banco Central que teriam atuado como “consultores privados” de Vorcaro — antecipando informações regulatórias em troca de propina. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo sob as mesmas suspeitas.
O grupo investigado responde por gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e obstrução de justiça.
