A contratação de um novo advogado por Daniel Vorcaro, banqueiro preso na Operação Compliance Zero, acendeu um sinal vermelho no Palácio do Planalto e em escritórios jurídicos de Brasília.
Juca — nome pelo qual é conhecido José Luís Oliveira Lima — assumiu a defesa do dono do Banco Master na última sexta-feira (13). O advogado tem histórico de acordos de delação premiada em casos emblemáticos, como o do empreiteiro Léo Pinheiro, da construtora OAS, na Lava Jato.
O que a troca de advogado sinaliza
Um acordo de colaboração premiada segue um rito judicial específico: o delator precisa entregar provas do esquema e indicar pessoas em posições hierárquicas superiores à sua dentro da organização criminosa.
Para o cientista político Claudio Couto, professor da FGV-SP, há condições para que "gente graúda" seja envolvida no escândalo. A análise considera tanto o alcance político do caso quanto a postura do Supremo Tribunal Federal diante das investigações.
O STF concentra atenções em duas frentes: o julgamento sobre a prisão preventiva de Vorcaro e as suspeitas de relações inadequadas de dois ministros da Corte com o banqueiro.
A troca de defensor ocorreu horas depois de a Segunda Turma do STF formar maioria para manter Vorcaro preso preventivamente — pressão que, nos bastidores, é vista como o principal catalisador da mudança de estratégia.
Impacto eleitoral e próximos passos
Com eleições no horizonte, o Caso Master já respinga nas urnas. A mais recente pesquisa Quaest revela que 38% do eleitorado rejeita votar em candidatos ligados ao escândalo — número expressivo para um caso ainda em fase de investigação.
Nas investigações, a Polícia Federal é o órgão central. Antes mesmo da troca de advogado, investigadores já avaliavam que a PF poderia conduzir a delação premiada sem a participação da PGR, com o respaldo do relator André Mendonça — o que abriria caminho para um acordo mais ágil.
Se Vorcaro fechar uma colaboração premiada, o timing eleitoral amplia o impacto de cada nome entregue. Couto avalia que o Caso Master tem potencial para redesenhar o tabuleiro político brasileiro ainda em 2026.
