Economia

AIE mobiliza 400 milhões de barris para contornar bloqueio iraniano de Ormuz

Decisão unânime dos 32 membros representa a maior liberação de reservas estratégicas da história do organismo

A Agência Internacional de Energia (AIE) aprovou nesta quarta-feira (11/3) a liberação de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas — a maior operação do tipo em seus 50 anos de história. Os 32 países-membros votaram unanimemente a favor.

A decisão responde ao bloqueio imposto pelo Irã ao Estreito de Ormuz, corredor por onde passava mais de 20% do petróleo transportado globalmente. Teerã prometeu não deixar “um único litro” atravessar o estreito com destino aos EUA, a Israel e a seus aliados.

O que representam 400 milhões de barris

O volume equivale a quatro dias de consumo mundial de petróleo — ou ao que normalmente escoava pelo Estreito de Ormuz em 20 dias. Fatih Birol, diretor-executivo da AIE, confirmou que as reservas serão disponibilizadas dentro de prazos adaptados às circunstâncias de cada país-membro.

É a sexta vez que a agência aciona uma liberação coordenada. As anteriores ocorreram em 1991, durante a Guerra do Golfo; em 2005, após o furacão Katrina; em 2011, na crise da Líbia; e duas vezes em 2022, em resposta à invasão russa da Ucrânia.

Rotas alternativas ao Estreito

Com o estreito efetivamente fechado, a Arábia Saudita elevou o fluxo do oleoduto Leste–Oeste — 1,2 mil km de extensão — até sua capacidade máxima de 7 milhões de barris diários. A rota liga os campos do Golfo a terminais de exportação no Mar Vermelho, contornando Ormuz.

Os Emirados Árabes Unidos também ativaram o Oleoduto de Abu Dhabi, com capacidade para 1,8 milhão de barris diários até o porto de Fujairah, no Golfo de Omã. Ainda assim, ambas as rotas somadas transportariam menos da metade do volume que passava pelo estreito.

Kuwait e Iraque, sem oleodutos equivalentes, já reduziram a produção. O corte combinado de Arábia Saudita, Iraque, Emirados e Kuwait chegou a 6,7 milhões de barris diários — 6% da oferta global —, criando o vácuo de suprimento que a AIE agora tenta compensar.

Frentes diplomática e militar

O CEO da Aramco, Amin Nasser, classificou a situação como “a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou”. Antes do conflito, o barril de Brent oscilava na casa dos US$ 60. A guerra empurrou o preço acima de US$ 100, antes de uma moderação para a faixa de US$ 80–90.

Analistas alertam que os efeitos da crise podem durar meses — mesmo que o conflito termine logo —, já que refinarias e rotas de abastecimento globais precisarão de tempo para se reorganizar.

O presidente Donald Trump chamou a escalada nos preços de “questão de guerra” e garantiu que os mercados “voltarão ao normal” em breve.

O Comando Central dos EUA (Centcom) advertiu civis iranianos a evitarem portos ao longo da costa sul do país, sinalizando possíveis ataques a instalações utilizadas pelo regime para operações navais.

O Irã, por sua vez, anunciou que abandonou os ataques militares recíprocos para focar exclusivamente no bloqueio de Ormuz. Especialistas interpretam a mudança como tentativa de pressionar os preços e elevar o custo econômico da guerra para Washington e seus aliados.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o conflito “continuará por tempo indeterminado” — e prosseguirá até que todos os objetivos da campanha conjunta israelense-americana, iniciada em 28 de fevereiro, sejam alcançados.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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