A presidente do Palmeiras e da Crefisa, Leila Pereira, não compareceu ao depoimento marcado pela CPMI do INSS nesta segunda-feira (9) e justificou a ausência com a cerimônia de premiação pelo título do Campeonato Paulista, conquistado pelo clube no domingo.
O CEO do Banco C6, Artur Azevedo, também confirmou que não participaria da sessão. Os dois ampararam a recusa em uma liminar do ministro Flávio Dino, do STF, que na prática esvaziou as convocações aprovadas em bloco pela comissão.
A justificativa oficial foi apresentada em carta pelo advogado de Leila, Eduardo Borges Espínola Araújo. Segundo o documento, a Federação Paulista de Futebol realizaria nesta segunda uma cerimônia de encerramento do Campeonato Paulista, inviabilizando a presença da dirigente em Brasília.
A defesa acrescentou que Leila estará fora do país entre 10 e 25 de março. A CPMI está prevista para funcionar até 28 de março, com última sessão no dia 26. Mesmo assim, a presidente declarou estar “à disposição” da comissão caso seja chamada novamente.
Liminar do STF como escudo jurídico
A justificativa jurídica de Leila e do CEO do C6 tem base na decisão liminar do ministro Flávio Dino, que suspendeu a votação em bloco de 87 requerimentos da CPMI — pacote que incluía as convocações dos dois. Com isso, ambos entenderam que os pedidos perderam validade jurídica.
A votação havia causado tumulto entre parlamentares. Tanto Leila quanto Azevedo deixaram aberta a possibilidade de comparecer se novos requerimentos individuais forem aprovados pela comissão.
O requerimento para ouvir Leila Pereira foi apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL) com base em depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, prestado no início de fevereiro. Segundo Gaspar, a Crefisa assumiu papel central na operação de pagamento de novos benefícios previdenciários, mas passou a ser alvo de medidas restritivas pelo órgão.
No texto do requerimento, o deputado classifica a convocação como “medida necessária” para esclarecer o que a alta administração da Crefisa sabia sobre irregularidades relatadas por beneficiários.
Impasse pode se arrastar até o fim da CPMI
A mesma decisão de Dino já havia colocado a cúpula da comissão em alerta nos dias anteriores, com Alfredo Gaspar sinalizando recurso ao perceber que o precedente poderia travar outras convocações.
O desfecho do impasse depende da aprovação de requerimentos individuais — desta vez fora do pacote suspenso pelo STF — antes do encerramento dos trabalhos, em 28 de março.