Meio ambiente

Explosões em Teerã escurecem céu e disparam alerta de chuva ácida

Ataques a instalações de combustível lançaram fuligem e gases tóxicos; compostos ácidos podem cair com a chuva nos próximos dias

Uma série de explosões em um depósito de combustíveis em Teerã neste domingo (8) cobriu a capital iraniana com uma densa cortina de fumaça, transformando o dia em noite em pleno meio-dia. As autoridades locais emitiram alerta de risco de chuva ácida para os dias seguintes.

O ataque ocorreu um dia após ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra uma refinaria de petróleo na cidade. Incêndios encadeados em instalações de combustível jogaram na atmosfera volumes massivos de fuligem, dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio.

Diante da poluição do ar, moradores foram orientados a ficar em casa e usar máscaras ao sair.

Por que o céu escureceu?

Explosões e incêndios liberam grandes quantidades de fuligem e partículas microscópicas que ficam suspensas no ar, formando uma nuvem densa de poluição. Esse material bloqueia e espalha a luz solar, reduzindo a luminosidade que chega ao solo — daí a impressão de que o dia virou noite.

Dependendo das condições atmosféricas, a fumaça pode se espalhar para áreas mais amplas. Ventos e correntes de ar transportam as partículas para outras regiões, levando a poluição além do epicentro dos ataques.

Como se forma a chuva ácida?

A chuva ácida ocorre quando poluentes atmosféricos reagem com o vapor d’água e formam compostos ácidos que retornam ao solo com as precipitações. Os principais agentes desse processo são o dióxido de enxofre (SO₂) e os óxidos de nitrogênio (NOₓ), liberados em grandes volumes durante a queima de combustíveis fósseis.

Ao subir para a atmosfera, esses gases passam por reações químicas que geram ácido sulfúrico e ácido nítrico. Dissolvidos nas gotículas das nuvens, esses compostos tornam a chuva mais ácida do que o normal.

O incêndio que gerou a enorme coluna de fumaça foi causado por um ataque israelense a um depósito de combustível em Teerã, documentado pela Reuters com base em imagens de satélite e registros cartográficos da região.

Riscos ambientais e para a saúde

Em concentrações elevadas, a chuva ácida pode danificar a vegetação, alterar a química de solos e corpos d’água e prejudicar organismos aquáticos. Estruturas urbanas, monumentos e metais também sofrem corrosão acelerada com a precipitação ácida.

Para as pessoas, o maior risco está na inalação da poluição gerada pelos incêndios e explosões. A chuva ácida em si geralmente não é forte o suficiente para causar queimaduras na pele, mas pode carregar partículas e contaminantes que comprometem a qualidade do ambiente.

O episódio ocorreu um dia após EUA e Israel bombardearem instalações de petróleo no sul da capital — ofensiva em que Israel declarou controle quase total do espaço aéreo de Teerã e anunciou uma nova onda de ataques contra o Irã.

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