Estados Unidos e Venezuela formalizaram nesta quinta-feira (5) o restabelecimento das relações diplomáticas, rompidas desde o início de 2019. O acordo é um dos desdobramentos mais concretos do processo iniciado após a captura de Nicolás Maduro pelo governo Trump, em 3 de janeiro de 2026.
O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado americano e confirmado pela presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, indicada por Washington para liderar a fase de estabilização do país.
O comunicado do Departamento de Estado afirmou que o acordo “facilitará os esforços conjuntos para promover a estabilidade, apoiar a recuperação econômica e avançar na reconciliação política na Venezuela”. Do lado de Caracas, o governo bolivariano reafirmou disposição para “uma nova etapa de diálogo construtivo, baseada no respeito mútuo e na cooperação entre os povos”.
Plano em três fases e retorno das embaixadas
Após a captura de Maduro, Trump delineou um processo de três etapas para o país: estabilização, recuperação e transição democrática. O republicano escolheu Delcy Rodríguez — ex-vice-presidente do governo chavista — para conduzir a primeira fase, e tem elogiado publicamente sua cooperação com Washington.
O anúncio desta semana foi precedido pela visita a Caracas do secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, acompanhado por representantes de mais de 20 empresas do setor de mineração. Burgum anunciou novas licenças para investimentos no setor e declarou que Washington quer “abrir as portas” para todos que desejam operar no país.
Washington e Caracas também discutem a reabertura gradual de suas embaixadas. Em janeiro, a encarregada de negócios Laura Dogu chegou a Caracas para retomar as atividades da missão americana. Rodríguez nomeou Félix Plasencia como representante diplomático venezuelano nos EUA.
A normalização com Caracas integra um padrão mais amplo: a captura de Maduro e o processo de transição venezuelano viraram modelo de intervenção replicado em outros contextos pela política externa de Trump, como na abordagem ao conflito no Irã.
Acordos econômicos e histórico da ruptura
Durante os dois dias em Caracas, Burgum acompanhou a assinatura de acordos com a britânica Shell nas áreas de petróleo e gás. Rodríguez também anunciou uma “ampliação da Lei de Minas” e pediu ao Parlamento “celeridade” para apresentar ao mundo “as oportunidades de investimento e desenvolvimento” do país.
As relações diplomáticas entre EUA e Venezuela foram rompidas no início de 2019, no primeiro mandato de Trump, quando Washington reconheceu o líder oposicionista Juan Guaidó como presidente interino, rejeitando a legitimidade de Maduro.
Burgum foi o segundo secretário do gabinete Trump a visitar a Venezuela desde janeiro. Antes dele, o secretário de Energia, Chris Wright, esteve em Caracas e firmou com Rodríguez uma parceria energética de longo prazo — sinal de que o interesse americano vai além da diplomacia e mira diretamente os vastos recursos naturais venezuelanos.