Política

BC tem servidores afastados em operação que prendeu dono do Banco Master

Terceira fase da Compliance Zero bloqueou até R$ 22 bilhões e expõe falhas na supervisão bancária

Dois ex-dirigentes do Banco Central foram afastados cautelarmente por ordem judicial na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal. Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento de supervisão bancária, são investigados por atuação inadequada na vigilância do Banco Master.

Na mesma fase, o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso preventivamente. A operação incluiu mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.

Afastamento seguiu investigação interna do próprio BC

O Banco Central havia aberto sindicância interna antes de novembro de 2025 para apurar a conduta dos dois servidores. Concluída a fase administrativa, as informações foram repassadas à Polícia Federal, que passou a conduzir a investigação criminal.

No início de 2026, portarias publicadas no Diário Oficial da União já registravam o afastamento administrativo de ambos. A decisão judicial desta quarta-feira formalizou o afastamento cautelar no âmbito penal — distinção relevante: os dois são servidores de carreira e não foram exonerados.

A limitação legal do Banco Central para adotar medidas como quebra de sigilo explica o caminho percorrido. Ao identificar indícios de irregularidades, a autarquia encaminhou o material às autoridades competentes para a persecução penal.

Esquema suspeito envolve fraudes bilionárias

A Compliance Zero apura um esquema no Banco Master que inclui venda de títulos de crédito falsos, lavagem de dinheiro e corrupção. Segundo a PF, a instituição — classificada como de menor porte — teria causado prejuízos bilionários, parte deles coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Quatro mandados de prisão preventiva foram cumpridos. Além de Vorcaro, há mandado contra seu cunhado, Fabiano Zettel. Os outros dois alvos não tiveram os nomes divulgados até o fechamento desta reportagem. A defesa de Vorcaro não respondeu aos contatos.

Daniel Vorcaro já havia sido detido na primeira fase da operação, em novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. Foi solto 12 dias depois por decisão da Justiça Federal.

O caso ganhou novo contorno institucional ao migrar para o Supremo Tribunal Federal. A operação desta quarta-feira marcou a estreia do ministro André Mendonça como relator do inquérito — ele assumiu o caso após Dias Toffoli pedir redistribuição em fevereiro, quando seu nome apareceu em relatório extraído do celular de Vorcaro.

A sincronia entre as esferas judicial e parlamentar também chamou atenção. Na véspera das prisões, Mendonça havia tornado facultativa a presença de Vorcaro na CPI do Crime Organizado, decisão que gerou questionamentos sobre o calendário das medidas.

A redistribuição do inquérito ao STF ocorreu após o próprio Toffoli ter seu nome mencionado na investigação. Com Mendonça na relatoria, a Compliance Zero entra em uma nova fase de escrutínio sobre o sistema de supervisão bancária no país.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Prisão de Vorcaro cancela sessão da CPI do Crime Organizado

PF usou sindicância interna do BC para prender dono do Banco Master

STF manda prender Vorcaro por milícia privada e suborno no Banco Central

Mensagens de Vorcaro expõem ameaças a jornalistas e agentes do Banco Central

‘A Turma’ de Vorcaro: como funcionava a organização criminosa do Banco Master

Mendonça rebate PGR e diz que demora no caso Master coloca vidas em risco