O Inmet emitiu nesta quinta-feira (6/8) avisos de vendaval para áreas de 11 estados enquanto a frente de rajada avança pelo Centro-Sul do Brasil — com os impactos mais intensos previstos entre esta quinta e o sábado (8/8), segundo a Climatempo. O ciclone extratropical que se organiza sobre o Oceano Atlântico, próximo à costa do Rio Grande do Sul, pode ganhar força muito rapidamente e, se a pressão cair de forma acentuada em menos de 24 horas, ser classificado como ciclone bomba.
O alerta mais intenso — laranja, de perigo — é válido para a sexta-feira (7/8) e prevê rajadas entre 60 km/h e 100 km/h nos três estados do Sul e em São Paulo. Os modelos meteorológicos apontam rajadas de até 90 km/h também no Sudeste — uma revisão para cima das estimativas iniciais. O alerta chega cerca de uma semana depois de um episódio semelhante matar pessoas e destelhar imóveis na região.
Encontro de massas de ar explica a ventania
Na quarta-feira (5/8), os primeiros efeitos do sistema chegaram à Região Sul, que ainda registrava temperaturas elevadas — Porto Alegre (RS) teve máxima de 26°C durante a tarde. A partir desta quinta-feira (6/8), o ciclone extratropical e a frente fria se organizam com mais força, provocando chuva forte e ventania. A queda de temperatura está sendo abrupta: a máxima prevista para Porto Alegre nesta quinta é de apenas 18°C. O sistema se forma sobre o norte da Argentina e o Paraguai e avança em direção ao Uruguai e ao litoral do Rio Grande do Sul. Os volumes acumulados podem chegar a 100 milímetros em pontos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná.
Entre a sexta-feira (7/8) e o sábado (8/8), o ciclone pode ganhar força muito rapidamente — processo que os meteorologistas chamam de ciclogênese explosiva. Se essa intensificação ocorrer como previsto, o sistema pode ser classificado como ciclone bomba, com rajadas que podem superar 100 km/h sobre o Oceano Atlântico, próximo ao centro do sistema. No Rio Grande do Sul, o Inmet também aponta risco de tornado no oeste do estado e nas Missões.
Na quarta-feira (5/8), o Inmet manteve aviso amarelo de tempestades no Sul e no Mato Grosso do Sul. Nesta quinta-feira (6/8), o instituto escalou os alertas e emitiu avisos de vendaval para 11 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia. Avisos amarelos, de perigo potencial, alertam para ventos entre 40 km/h e 60 km/h no Sudeste, Centro-Oeste e na Bahia entre esta quinta (6/8) e o sábado (8/8). Um aviso laranja específico para ventos costeiros na sexta-feira (7/8) também cobre trechos do litoral do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, com risco de movimentação de dunas sobre construções na orla; entre os municípios incluídos estão Cabo Frio, Arraial do Cabo, Armação dos Búzios e Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, e Anchieta, no Espírito Santo.
Enquanto isso, um veranico eleva as temperaturas entre a segunda-feira (3/8) e a sexta-feira (7/8) em áreas que vão do Rio Grande do Sul ao sul de Mato Grosso, mantendo uma grande quantidade de ar quente e seco sobre o Centro-Sul.
Na sexta-feira (7/8), o ar frio e úmido trazido pelo ciclone e pela frente fria deve encontrar essa massa de ar quente. Quanto maior o contraste de temperatura e umidade entre elas, mais os ventos podem acelerar próximo à superfície — dando origem à frente de rajada. O Inmet também aponta condições favoráveis à formação de linhas de tempestades e frentes de rajada entre o Sul do Brasil e o Paraguai.
O que diferencia esse fenômeno de um tornado
Segundo o meteorologista César Soares, da Climatempo, a frente de rajada se forma quando o ar frio empurra rapidamente o ar quente para cima e para os lados, como uma onda que se espalha pela superfície. Diferente do tornado, em que o vento gira em torno de um eixo e atinge faixa estreita, a frente de rajada se espalha horizontalmente e pode afetar uma área bem mais ampla, percorrendo dezenas ou centenas de quilômetros — mesmo em locais sem chuva forte.
Semana passada, sistema semelhante matou pessoas em SP e RJ
Na última semana, um fenômeno parecido provocou ventos de mais de 120 km/h em áreas do Sudeste. O episódio matou duas pessoas e deixou dezenas de feridos no Sul e no Sudeste, além de derrubar árvores, destelhar imóveis e afetar o transporte em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Na ocasião, as rajadas só perderam força de forma gradual no dia seguinte à passagem do sistema — um padrão que pode se repetir neste novo episódio, com ventos persistindo entre a sexta-feira (7/8) e o sábado (8/8).
O fenômeno também tem uma possível ligação indireta com o El Niño, que pode ter contribuído para o estacionamento da frente fria no Sul e para o calor extremo que antecede o choque de massas de ar — condições semelhantes às previstas para esta semana.
Com a aproximação do sistema, os modelos meteorológicos revisaram as estimativas para cima: as rajadas esperadas no Sul podem ultrapassar 100 km/h, enquanto o Sudeste pode registrar ventos de até 90 km/h. As regiões mais expostas incluem a Grande São Paulo, Campinas, Sorocaba, o Vale do Ribeira, o Vale do Paraíba e o sul de Minas Gerais. O Espírito Santo também pode registrar rajadas fortes, especialmente no centro-sul do estado e na Grande Vitória.
O Inmet orienta que, durante as rajadas, a população permaneça em local abrigado, evite ficar debaixo de árvores — pelo risco de quedas e descargas elétricas — e não estacione veículos próximos a torres de transmissão ou placas de propaganda.
Após o avanço do ciclone para o oceano, uma massa de ar frio deve alcançar o Centro-Sul do país, com previsão de queda acentuada das temperaturas e possíveis efeitos também no Centro-Oeste e no Sudeste. Na sequência, uma segunda frente fria deve chegar a São Paulo no domingo (9/8), trazendo novas pancadas de chuva e rajadas entre 50 e 70 km/h no litoral paulista, na Grande São Paulo, no Vale do Ribeira, no Vale do Paraíba e nas regiões de Campinas e Sorocaba.