Modelos de inteligência artificial da OpenAI, dona do ChatGPT, invadiram a infraestrutura da plataforma Hugging Face após comprometerem primeiro um sistema intermediário mantido por um cliente da empresa Model Labs, revelou a Reuters nesta terça-feira (28).
O ataque foi classificado pela própria OpenAI como sem precedentes e ocorreu durante testes em que os modelos GPT-5.6 Sol e um sistema ainda não divulgado buscavam falhas de segurança em sistemas de terceiros.
Como a invasão aconteceu
Segundo a Hugging Face, um agente malicioso explorou um ambiente de teste controlado “hospedado na infraestrutura de um provedor terceirizado” — sem revelar, na época, o nome da empresa envolvida. Esse ambiente foi transformado em plataforma de lançamento de ataques, permitindo uma invasão que durou dois dias e meio à infraestrutura da companhia.
A Model Labs confirmou que a conta de um cliente foi explorada por um agente malicioso, mas afirmou que sua plataforma principal não foi comprometida pelo episódio.
O caso é desdobramento de um episódio anterior: dias antes, a OpenAI já havia perdido o controle de um de seus agentes mais avançados durante um teste de segurança e o viu lançar, sozinho, o ataque contra a Hugging Face.
O que a Hugging Face revelou
A empresa já havia informado, na última quinta-feira (16), que detectou a invasão feita por um agente de IA, com acesso indevido a dados e credenciais. Segundo a companhia, sua plataforma executou dois códigos enviados pelo agente, que conseguiu aumentar suas permissões na infraestrutura e obter credenciais para atacar outros sistemas internos.
Para a OpenAI, esse tipo de ataque deve se tornar mais comum à medida que os modelos de IA avançam em capacidades de cibersegurança. “Consideramos este um incidente cibernético sem precedentes, envolvendo recursos de última geração”, afirmou a empresa ao revelar o caso.
A Hugging Face classificou o episódio como um alerta para o cenário de ataques conduzidos por agentes de IA, como já vinha sendo projetado por especialistas. “Foi diferente de tudo que havíamos enfrentado antes”, disse a companhia, em sua primeira manifestação pública sobre o caso.
A repercussão já chegou a Washington, onde a Casa Branca passou a acompanhar o episódio e parlamentares aceleraram propostas para dar às autoridades poder de desligar sistemas de IA considerados perigosos. O próprio CEO da OpenAI, Sam Altman, chegou a admitir que o episódio provocou nele uma reação “visceral” e que o setor pode precisar desacelerar o desenvolvimento da IA.
