O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que a economia brasileira está em situação melhor do que a da Argentina e chamou o presidente argentino, Javier Milei, de “palhaço”.
A declaração foi dada em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, dias depois de Milei chamar o ministro do STF Alexandre de Moraes de “lixo careca” durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Risco-país e dívida: o que dizem os números
Durigan afirmou que o risco-país brasileiro está em situação mais favorável que o argentino: os indicadores apontam o Brasil ao redor de 130 pontos, contra cerca de 430 pontos da Argentina no início desta semana. O índice mede a confiança dos investidores na capacidade de um país honrar compromissos financeiros — quanto menor o número, maior a confiança do mercado.
Os dados, porém, não são unânimes a favor do Brasil. Segundo o Fundo Monetário Internacional, a dívida pública argentina fechou 2025 em 80,3% do PIB, em queda por causa do ajuste fiscal do governo Milei, enquanto a brasileira somou 93,3% do PIB, com tendência de alta. A inflação argentina somou 31,5% no ano passado, a mais baixa desde 2017, com crescimento de 4,4%; no Brasil, a inflação foi de 4,26%, com expansão de apenas 2,3% em meio a juros elevados.
Depois da repercussão, o ministro disse à GloboNews que se manifestou de forma autônoma, sem representar posição oficial do governo, mas quis reagir porque as críticas do argentino miraram diretamente sua pasta. Durigan também descartou risco de recessão em 2027 e afirmou que a redução dos juros no Brasil depende de corte nos gastos obrigatórios e do fortalecimento do arcabouço fiscal.
Crise diplomática ganha novos capítulos
O discurso de quase meia hora feito por Milei em São Paulo no sábado (25) também repercutiu no governo brasileiro. Nas redes sociais, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, chamou o argentino de “caricatura patética” e “puxa-saco de Trump”. O episódio se soma a atritos recentes: Milei já recusou pedir desculpas ao Brasil pela ofensa a Moraes e chegou a acusar o país de liderar uma campanha contra a Argentina na Copa do Mundo de 2026, sem apresentar provas.
Relatório do Banco Mundial publicado em abril já apontava que a economia argentina “se destaca” na região, puxada por reformas como a tributária e o Regime de Incentivo a Grandes Investimentos, enquanto Brasil e México enfrentam perda de dinamismo por juros altos, espaço fiscal limitado e incertezas comerciais. O organismo pondera, porém, que a Argentina ainda enfrenta riscos por sua necessidade de financiamento externo e acesso limitado ao mercado internacional de dívida.
