O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o envio de ajuda humanitária à Bolívia nesta segunda-feira (25), após conversa telefônica com o presidente boliviano Rodrigo Paz, que pediu o auxílio ao Brasil diante da crise que assola o país há quase um mês.
A Bolívia enfrenta a quarta semana consecutiva de protestos, com estradas bloqueadas em várias regiões e episódios de confronto entre manifestantes e forças de segurança. O desabastecimento já atinge parcelas da população boliviana.
De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, a ligação entre os dois presidentes abordou a deterioração da situação interna boliviana, que já provoca desabastecimento em diversas regiões. O governo brasileiro informou que Lula reiterou solidariedade ao governo e ao povo bolivianos e ressaltou a importância do respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito.
Protestos com pautas variadas
Os protestos que dominam a Bolívia há quatro semanas reúnem setores com demandas diversas: mudanças na política agrária, melhoria na qualidade do combustível e, em alguns casos, a exigência de renúncia do próprio presidente Rodrigo Paz. A polícia tem respondido com bombas e gás lacrimogêneo.
Os bloqueios de estradas em várias regiões do país são o principal mecanismo de pressão dos manifestantes e a causa direta do desabastecimento que já afeta parcelas da população.
A crise já impactou brasileiros que estavam no país. O designer Gabriel Medeiros, de Bauru, completou 18 dias sem conseguir sair de La Paz pelos bloqueios — o único aeroporto disponível opera de forma intermitente em razão das restrições de acesso ao país.
No comunicado, o Planalto destacou que Lula defendeu que governo e movimentos sociais bolivianos evitem o recurso à violência e privilegiem o diálogo como caminho para a superação das divergências e para a preservação da paz social — posição que sinaliza o tom da diplomacia brasileira diante da crise.
O envio de ajuda humanitária foi descrito pelo governo brasileiro como resposta direta ao pedido do próprio presidente Paz, enquadrando a ação como solidariedade entre governos, sem configurar intervenção nos assuntos internos do país vizinho.
A crise boliviana entra na quarta semana sem sinais de arrefecimento: os protestos continuam ativos, os bloqueios persistem e as demandas dos manifestantes — que incluem a renúncia do presidente — seguem sem resposta formal do governo boliviano.
