Meio ambiente

Aviso vermelho do Inmet coloca 708 cidades do Sul sob risco de tempestade severa

Temporal já deixou 1 morto e 4 desaparecidos no RS; chuva, vento e granizo ainda ameaçam SC e PR até a meia-noite
Aviso vermelho Inmet tempestade Sul: rua alagada e céu escuro simbolizam risco de temporal na região

O aviso vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou 708 municípios do Sul do país sob o grau máximo de alerta nesta segunda-feira (21), com validade das 9h16 às 23h59.

A chegada de uma frente fria pode render chuva acima de 60 milímetros em uma hora — ou mais de 100 milímetros ao longo do dia —, rajadas de vento superiores a 100 km/h e queda de granizo no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná.

Os riscos previstos já se confirmaram no Rio Grande do Sul: em Pelotas, um vendaval que chegou a atingir 89 km/h provocou destelhamentos, quedas de árvores e de postes e falta de energia em diversos pontos da cidade, e deixou um motociclista morto após ser atingido pela queda de fios de alta tensão, segundo a Polícia Civil. Por causa do temporal, as aulas na rede pública municipal de Pelotas foram suspensas nesta segunda-feira (21). Em Caxias do Sul, que registrou 159,4 milímetros de chuva somente nesta segunda, quatro pessoas foram arrastadas por uma enxurrada dentro de um veículo: um homem foi resgatado, mas um adolescente de 13 anos, uma criança de 4 anos e uma mulher de 43 anos seguem desaparecidos, segundo a Defesa Civil.

Os três estados na rota do temporal

O aviso abrange a região Metropolitana de Porto Alegre e as áreas Noroeste e Nordeste do Rio Grande do Sul, estado onde as tempestades se formaram durante a madrugada e se espalharam por boa parte do território ao longo do dia.

Em Santa Catarina, entram na lista o Oeste, a Serra, o Vale do Itajaí e a Grande Florianópolis. No Paraná, o alerta atinge o Oeste, o Sudoeste, o Noroeste, o Centro-Sul e o Norte — áreas para onde a frente fria avança durante a tarde e a noite.

O que o grau máximo indica

O vermelho é o topo da escala do Inmet e é acionado quando há condições simultâneas para chuva forte, rajadas intensas de vento, descargas elétricas e queda de granizo. Nesse patamar, o instituto projeta danos em edificações, interrupção no fornecimento de energia elétrica, estragos em plantações, quedas de árvores, alagamentos e transtornos no transporte rodoviário.

Não é a primeira vez que a região enfrenta um alerta desse porte em setembro: onze dias antes, o Inmet já havia emitido avisos de grande perigo para nove estados do Centro-Sul, incluindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Risco de supercélulas e o que fazer nas próximas horas

Segundo a Climatempo, o avanço da frente fria sobre o Sul abre espaço para a formação de supercélulas — tempestades de grande porte capazes de produzir ventos destrutivos, granizo e, em alguns casos, tornados.

Rajadas de intensidade semelhante já haviam atingido a região em maio, quando um ciclone extratropical na costa da Argentina provocou ventos de até 100 km/h em mais de mil cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Um balanço divulgado no fim da tarde desta segunda-feira (21) pela Defesa Civil Estadual do Rio Grande do Sul apontou que, desde a última sexta-feira (18), foram registradas 122 ocorrências relacionadas a fortes ventos e chuvas em 119 municípios do estado. Além da morte registrada em Pelotas, os temporais dos últimos dias deixaram outras três pessoas feridas em Aceguá, Caxias do Sul e Santa Maria. Segundo o órgão, mais de 485 mil pessoas foram afetadas em todo o estado, das quais 101 estão desabrigadas e 701 desalojadas; os eventos climáticos também provocaram danos em 27 escolas e sete estabelecimentos de saúde.

A orientação do Inmet para o período do aviso é desligar aparelhos elétricos, proteger documentos em caso de enxurrada e procurar abrigo enquanto o temporal passa. Emergências devem ser comunicadas à Defesa Civil pelo 199 e ao Corpo de Bombeiros pelo 193.