Política

Dino dá 90 dias à Fazenda para revisar regras da CVM após caso Master

STF aponta falhas no arquivamento de denúncia de 2022 que já alertava sobre risco no banco liquidado em 2025
Flávio Dino e o Ministério da Fazenda: STF exige revisão das regras de fiscalização da CVM após caso Banco Master

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Ministério da Fazenda tem 90 dias para coordenar uma revisão das regras de atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), reguladora do mercado de capitais brasileiro.

A decisão atende a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade do Partido Novo e vem na esteira do escândalo do Banco Master: segundo Dino, a CVM arquivou sem verificação adequada uma denúncia de 2022 que já apontava irregularidades na instituição, liquidada pelo Banco Central em 2025.

Falhas expostas pelo caso Master

Vinculada à Fazenda, a CVM funciona como autarquia com autonomia administrativa e fiscaliza ações, debêntures e cotas de fundos de investimento. No processo, ficaram evidentes o que Dino chamou de “fragilidades relevantes nos mecanismos de controle interno” da autarquia — entre elas, o hábito de arquivar denúncias sem apurações mais profundas.

Um dos casos citados é o alerta de 2022 sobre o Banco Master, instituição que oferecia rendimentos muito acima da média do mercado para atrair investidores e acabou liquidada pelo Banco Central em 2025 por risco ao sistema financeiro. O ex-controlador Daniel Vorcaro é investigado por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Apesar de reconhecer as falhas, Dino evitou impor soluções pelo Judiciário: para ele, cabe aos próprios reguladores — e não ao STF — definir normas técnicas de fiscalização do mercado financeiro. Por isso, a decisão determina diálogo entre Fazenda, CVM, Banco Central, COAF, Ministério da Justiça, Receita Federal e Polícia Federal para desenhar um novo arcabouço regulatório.

Pressão sobre a CVM já vinha de antes

A decisão desta semana é o desfecho de um movimento que Dino vinha construindo desde abril, quando convocou uma audiência pública no STF para debater a capacidade fiscalizatória da CVM e alertou para o risco de o crime organizado migrar para o sistema financeiro.

A própria autarquia já vinha sob pressão para se reorganizar diante do caso Master. Em junho, o governo nomeou Otto Lobo para presidir a CVM com a promessa de dar mais celeridade aos processos ligados ao grupo. Em fevereiro, a CVM já havia criado um grupo de trabalho para analisar o conglomerado Master e a gestora Reag, suspeita de envolvimento nas fraudes investigadas pela Polícia Federal.

Enquanto a revisão regulatória avança, os processos internos também seguem seu curso: a CVM marcou para setembro o julgamento administrativo que apura fraudes de Vorcaro no fundo Brazil Realty FII.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Dino convoca audiência no STF para questionar capacidade de fiscalização da CVM

Senado aprova controle semestral sobre a CVM após escândalo do Banco Master

CVM marca julgamento de Vorcaro e Banco Master por fraude

Governo nomeia Otto Lobo para presidir a CVM em meio ao caso Master

CVM condena Daniel Vorcaro a multa de R$ 20 milhões por fraude

Dino quer parlamentares responsáveis por emendas e dá prazo de 10 dias