O presidente Lula defendeu nesta quarta-feira (19) o enriquecimento de urânio no Brasil para fins pacíficos e a exportação do material a outros países, durante visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP).
O petista associou o avanço nuclear à defesa da soberania nacional, bandeira central de sua campanha à reeleição, e afirmou que o Brasil não pode andar de “cabeça baixa” diante de outras potências.
Submarino nuclear, projeto que já dura quase duas décadas
Na visita ao Laboratório de Enriquecimento Isotópico da Marinha, Lula reconheceu que o orçamento federal tem prioridades como saúde e educação, mas defendeu que é preciso discutir uma previsão financeira para concluir o submarino de propulsão nuclear em construção no Centro de Aramar desde 2007.
“O submarino é importante para que a gente tenha tecnologia pra dar e pra vender, para que a gente possa enriquecer urânio para fins pacíficos como está na nossa Constituição e pra vender para o mundo”, disse o presidente.
A Constituição Federal reserva à União o monopólio de atividades nucleares no país, como o enriquecimento e o reprocessamento de material radioativo, e determina que todo o programa tenha fins exclusivamente pacíficos. Eventuais vendas de urânio enriquecido a outros países dependem de autorização e controle dos órgãos do setor nuclear. Lula acompanhou a visita ao lado do ministro da Defesa, José Múcio, do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Terceiro discurso de soberania em menos de um mês
A passagem por Iperó marca mais um capítulo da ofensiva discursiva de Lula em torno da soberania nacional, tema que ganhou força após o tarifaço e os embates com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O petista tem repetido que o país está aberto ao diálogo, mas não aceita interferências externas em decisões internas.
Cinco semanas antes de visitar o centro nuclear, Lula já alertava para o interesse crescente de EUA, Rússia e China pelos recursos estratégicos do Brasil e defendia mais investimento em Defesa como resposta. Em julho, o presidente também havia defendido o reforço das Forças Armadas em visitas a Jacareí e São José dos Campos, consolidando um padrão de discursos que devem se intensificar com a proximidade da campanha à reeleição.