Economia

Celina Leão e Durigan trocam farpas sobre empréstimo do BRB no STF

Governo do DF cobra celeridade enquanto bancos hesitam em avalizar banco sem balanço há mais de um ano
Disputa sobre empréstimo do BRB no STF: fachada do tribunal ao entardecer com logo do banco em destaque

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), voltou a cobrar os órgãos federais nesta quinta-feira (13), durante nova reunião de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o empréstimo bilionário destinado a socorrer o Banco de Brasília (BRB).

Mediado pelo ministro Luiz Fux, o encontro tentou destravar a liberação de R$ 6,6 bilhões ao banco público, parada desde a homologação de um primeiro acordo em maio.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu as críticas e afirmou que a União “não tem nada a ver” com a crise financeira do BRB.

Um imbróglio que já dura meses

O impasse sobre o empréstimo ao BRB se arrasta desde que o acordo foi homologado pelo STF, em maio, mas nunca saiu do papel. Como mostrou o Tropiquim, a nova rodada desta quinta foi convocada a pedido do próprio governo Celina Leão, que já acusava a União e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de inércia desde o início do mês — o mesmo argumento repetido pela governadora diante de Fux.

A pressa do DF tem motivo concreto: o BRB não divulga balanços periódicos há um ano e acumula multas do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por isso. Em audiência no Senado, o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, detalhou a modelagem em discussão para os R$ 6,6 bilhões — cálculo que, segundo a oposição a Celina Leão, pode gerar um custo extra de mais de R$ 1 bilhão por ano em juros aos cofres do DF.

Bancos resistem a bancar o BRB

As negociações seguem em sigilo, mas já se sabe que o grupo de bancos comerciais resiste a atuar como avalista de uma instituição que não presta contas há mais de um ano. A posição de Durigan também tem raiz técnica: o rebaixamento do DF à nota C no Capag impediu o governo federal de avalizar diretamente a operação, o que forçou a busca pela modelagem alternativa via FGC.

Além disso, o FGC informou ao STF, nesta semana, que ainda não recebeu os balanços de 2025 e 2026 do BRB — dados essenciais para avaliar se os R$ 6,6 bilhões bastariam para sanear o banco. O secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, contestou a exigência, argumentando que o empréstimo será tomado pelo próprio governo, e não pelo BRB.

O que está em jogo se o acordo travar

Sem os R$ 6,6 bilhões, o Banco de Brasília segue descumprindo os limites prudenciais mínimos do Banco Central — as normas conhecidas como Acordos de Basileia, que exigem patrimônio sólido o suficiente para absorver choques econômicos. No último domingo, cobrada por candidatos ao governo do DF sobre a divulgação dos balanços, a própria Celina Leão admitiu, na prática, que o banco opera fora dessas regras.

A estratégia do governo distrital é injetar o dinheiro no BRB antes de publicar os relatórios financeiros — na prática, reconhecer o descumprimento das normas só depois de já ter revertido a situação com o empréstimo. Se os R$ 6,6 bilhões não forem suficientes, o risco é que o banco continue em dificuldades e deixe de repassar dividendos ao DF, seu acionista majoritário, o que comprometeria ainda mais as contas do governo distrital.

O acordo homologado em maio já está sob fiscalização do TCU. O tribunal abriu processo para acompanhar o uso do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como contragarantias — justamente o ponto que mais preocupa os bancos, já que esses recursos financiam serviços públicos essenciais no DF. Como alternativa, o secretário Valdivino de Oliveira já sinalizou que o governo estuda oferecer as parcelas do FPM e do FPE diretamente ao FGC, sem os bancos comerciais como avalistas intermediários.

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