Política

Planalto pressiona Wagner a deixar liderança no Senado após reunião com Lula

Governo avalia como 'sofríveis' as explicações do senador à PF enquanto PT espera gesto de renúncia ao cargo
Jaques Wagner saída liderança Senado sob pressão do Lula e investigação

O presidente Lula se reuniu por mais de uma hora com o senador Jaques Wagner (PT-BA) no Palácio da Alvorada nesta terça-feira — o primeiro encontro presencial desde que Wagner virou alvo da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário ligado ao Banco Master.

Nos bastidores, o clima é de cobrança. Integrantes do Planalto e do PT esperam que Wagner tome a iniciativa de entregar o cargo de líder do governo no Senado para se dedicar à própria defesa.

A crise ganhou novo capítulo na véspera do encontro, quando a defesa de Wagner protocolou recurso no STF para anular a busca e apreensão, alegando “erros graves” que comprometeriam a validade jurídica da ação. O recurso contesta a decisão que autorizou a entrada da PF na residência do senador.

A operação apreendeu US$ 49 mil em espécie e apontou que Wagner teria recebido um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, além de repasses a empresas ligadas a familiares do parlamentar — tudo em suposta troca por influência política a favor do Banco Master no Congresso Nacional.

O senador atribui os dólares a diárias pagas pelo Senado em razão de viagens internacionais realizadas no exercício do mandato. A versão, porém, não convenceu o governo.

A Operação Compliance Zero está em sua 9ª fase e investiga um suposto esquema de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

A mudança de tom no Planalto é significativa. Dias atrás, Lula havia telefonado a Wagner para demonstrar solidariedade — um gesto que contrasta diretamente com a avaliação atual do governo de que as explicações do senador foram “sofríveis”, segundo o blog do Gerson Camarotti.

O recado nos corredores do Planalto é para que Wagner aja com rapidez e esvazie voluntariamente o posto, evitando que o governo precise tomar uma decisão mais constrangedora sobre o futuro do aliado.

Pressão sem confronto aberto

O encontro no Alvorada durou mais de uma hora, mas nenhuma das partes divulgou o conteúdo da conversa. A leitura política é que Lula ainda preserva a relação pessoal com um aliado histórico, mas não pode ignorar o custo de manter à frente da liderança um senador investigado por corrupção num esquema de proporções bilionárias.

A expectativa é de que Wagner anuncie a saída nos próximos dias. O PT já trabalha nos bastidores para articular uma transição ordenada na liderança do governo no Senado.