A Receita Federal confirmou nesta terça-feira (2) que 2,2 milhões de declarações do Imposto de Renda 2026 estão retidas na malha fina — equivalente a 5% do total de documentos entregues neste ciclo.
O número, revelado pelo supervisor do IR, José Carlos da Fonseca, mantém proporção histórica, mas tem origem em um fator inédito: o fim da Dirf gerou erros de dados que afetaram milhares de contribuintes.
Quem caiu na malha deve acessar o e-CAC para identificar e corrigir as pendências.
O que explica o volume em malha fina em 2026
O ciclo do IR 2026 foi marcado por uma mudança estrutural: o fim da Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte), extinta após décadas de uso. Esse documento era o canal pelo qual empresas comunicavam ao Fisco os rendimentos pagos a trabalhadores.
Com a extinção, a Receita migrou para duas bases alternativas: o e-Social, repositório de informações trabalhistas, previdenciárias e tributárias, e o EFD-Reinf. A transição, porém, não ocorreu sem atrito — inconsistências nos dados enviados pelas empresas arrastaram milhares de contribuintes para a retenção fiscal.
O supervisor do IR classificou 2026 como um “ano de superação” justamente por essa ruptura. Ele destacou que o percentual em malha foi se ajustando ao longo do período à medida que as empresas corrigiam suas informações junto ao Fisco.
No total, 44,4 milhões de declarações foram entregues dentro do prazo legal — o mesmo universo sobre o qual o Fisco agora apura as inconsistências. O ciclo de entrega correu de 23 de março a 29 de maio de 2026.
Como regularizar a situação na malha fina
Para quem está retido, o caminho oficial é acessar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC), plataforma digital da Receita Federal disponível na internet. Lá, o contribuinte descobre qual pendência gerou a retenção e recebe orientação sobre como resolvê-la.
A inconsistência pode ter três origens distintas: erro do próprio contribuinte ao preencher a declaração; dado incorreto enviado pela empresa empregadora (fonte pagadora); ou falha de prestadores de serviços citados no documento.
A tendência já se desenhava durante o período de entrega: no início de maio, quase 897 mil declarações já estavam retidas na malha fina — número que cresceu para 2,2 milhões até o fechamento do prazo. A curva reflete diretamente os erros gerados pela transição das empresas para as novas plataformas de informação tributária.
