Economia

EUA e aliados fecham pacto digital sem o Brasil após veto na OMC

Acordo entre 19 países garante isenção de tarifas sobre streaming e downloads a partir desta sexta
Retrato de Lula com bandeiras do Brasil e EUA na moratória OMC comércio eletrônico Brasil

Os Estados Unidos e outros 18 países anunciaram nesta quinta-feira (7) um pacto próprio para não cobrar tarifas sobre transmissões eletrônicas internacionais — medida que exclui o Brasil após Brasília bloquear a renovação da moratória multilateral na Organização Mundial do Comércio.

O acordo entra em vigor em 8 de maio e reúne nações como Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Austrália, Noruega e Argentina.

A moratória que o novo pacto substitui existe desde 1998 e proíbe a cobrança de tarifas alfandegárias sobre transmissões eletrônicas transfronteiriças — categoria que inclui streaming de músicas e filmes, downloads de softwares e outros serviços digitais.

Renovada regularmente nas últimas décadas, a medida era vista por grandes economias digitais como Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Japão como um pilar de previsibilidade para o comércio digital global. O objetivo do grupo era torná-la permanente.

O bloqueio brasileiro na OMC

O impasse se cristalizou em março, durante reunião de alto nível da OMC realizada em Camarões. O Brasil se opôs à renovação da moratória multilateral, impedindo que o acordo continuasse válido no âmbito do organismo internacional.

A resistência brasileira à moratória não é episódica: o país vem construindo deliberadamente uma postura de soberania digital entre Washington e Pequim — o que explica por que Brasília resiste a regras multilaterais que limitariam sua autonomia sobre transmissões eletrônicas.

Sem resolução, dezenove membros da OMC decidiram avançar com um acordo entre si. O documento divulgado nesta quinta expressa desapontamento com a expiração da moratória multilateral, mas reafirma o compromisso do grupo em oferecer previsibilidade a empresas e consumidores.

“Este grupo de membros continua comprometido em fazer o possível para oferecer às empresas e aos consumidores previsibilidade e segurança na ausência da moratória multilateral do comércio eletrônico”, afirma o texto, datado de 7 de maio, que também convida outros membros da OMC a aderir ao pacto.

Tensão comercial mais ampla

O bloqueio na OMC se insere em um contexto de tensão bilateral mais amplo. Semanas antes da reunião de Camarões, delegações do Brasil e dos EUA se reuniram em Washington para negociar sanções que Washington prepara contra o mercado brasileiro sob a Seção 301.

O fracasso em renovar a moratória multilateral representa mais um retrocesso para o papel da OMC na definição das regras do comércio global — e coloca o Brasil em posição isolada frente a economias como a Argentina, que integrou o bloco dos 19.

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