O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) prendeu o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) em Orlando, na Flórida. A informação foi confirmada pela Polícia Federal à GloboNews neste domingo (13).
Ramagem foi levado a um centro de detenção na cidade após ser detido por questões migratórias. O governo brasileiro aguarda mais informações sobre como será conduzido o processo de retorno ao país.
Condenado pelo STF e fugitivo desde o julgamento
Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina antes do término do julgamento no Supremo Tribunal Federal, que o condenou a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A fuga envolveu a travessia da fronteira de Roraima com a Guiana, de onde seguiu para os Estados Unidos sem acionar nenhum ponto de controle oficial.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição havia sido formalmente encaminhado ao governo norte-americano. A Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação ao Departamento de Estado dos EUA em 30 de dezembro de 2025.
O ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol — medida que viabilizou a possibilidade de detenção por autoridades estrangeiras e que resultou diretamente na ação do ICE neste domingo.
Aliados do ex-deputado afirmavam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos. A detenção por questões migratórias sugere que esse caminho foi bloqueado pelas autoridades americanas antes de qualquer pedido ser formalizado.
De chefe da ABIN a réu da trama golpista
Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem ganhou projeção nacional ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora, durante a campanha presidencial de 2018. Na gestão Bolsonaro, foi nomeado para comandar a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), cargo cujo exercício é alvo de investigações por uso ilegal da estrutura estatal para monitorar adversários políticos — episódio conhecido como “Abin Paralela”.
Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo Diretor-Geral da Polícia Federal, mas Alexandre de Moraes suspendeu a indicação por conta da proximidade pessoal entre Ramagem e a família presidencial. Eleito deputado federal pelo PL-RJ em 2022 com cerca de 59 mil votos, teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara em dezembro de 2025, após a condenação criminal. Em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro e terminou em segundo lugar.
Ramagem não é o único aliado de Bolsonaro a enfrentar a Justiça a partir dos Estados Unidos: Eduardo Bolsonaro, que também vive no país desde fevereiro de 2025, tem interrogatório marcado no STF por videoconferência para o dia 14 de abril — apenas um dia após a prisão de Ramagem pelo ICE.
