A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta segunda-feira (13) uma nota pública de apoio ao Papa Leão XIV, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamar o pontífice de “fraco” no fim de semana.
No documento, os bispos afirmam que a autoridade do papa “não se orienta pela lógica do confronto político”, mas pela defesa da paz, da dignidade humana e do diálogo entre os povos.
O próprio Leão XIV respondeu, a bordo do avião que o levava à Argélia, que não tem “a intenção de entrar em um debate” com Trump.
As críticas de Trump ao papa têm contexto direto: nos dias anteriores à nota da CNBB, Leão XIV havia classificado a guerra como “blasfêmia” e defendido o diálogo como único caminho para a paz — postura que irritou abertamente o presidente americano.
Entre os alvos da ofensiva trumpista está uma acusação sem respaldo factual: a de que o papa teria consentido com a possibilidade do Irã desenvolver uma arma nuclear. Não há nenhum registro de que Leão XIV tenha feito tal afirmação.
A nota da CNBB é assinada pelo cardeal Jaime Spengler, presidente da entidade, ao lado de outros integrantes da cúpula da conferência. O texto sustenta que a postura do Vaticano não é política, mas evangélica: “fidelidade ao Evangelho, que continuamente eleva a voz em defesa da paz, da dignidade humana e do diálogo entre os povos”.
Nos últimos dias, o papa também fez apelos por cessar-fogo em múltiplos conflitos armados, mencionando guerras no Líbano, na Ucrânia e no Sudão — posições que colocam o pontificado em rota de colisão com a agenda de política externa de Washington.
Igreja e política: uma tensão que se aprofunda
A nota da CNBB não é um gesto isolado. Ela reflete o posicionamento de uma instituição que historicamente ocupa espaço relevante no debate público brasileiro e que, neste momento, vê a maior liderança espiritual do catolicismo ser alvo de ataques diretos do presidente americano.
O episódio expõe uma fissura crescente entre a diplomacia vaticana — centrada em mediação e diálogo — e a retórica de força que marca a política externa de Trump. Ao rejeitar escaladas militares no Oriente Médio e defender negociações, o papa adota posições que conflitam diretamente com os planos americanos para a região.
Ao dizer que não pretende “entrar em um debate”, Leão XIV adota tom moderado, mas firme. A resposta da CNBB eleva o tom institucional: não é apenas o Vaticano que recusa o confronto com Trump — a Igreja Católica no Brasil também se posiciona publicamente ao lado do pontífice, sinalizando que o mal-estar com a postura do presidente americano transcende fronteiras.
