O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (10) que o governo vai incluir estudantes com pendências no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) no novo programa de renegociação de dívidas que está sendo elaborado pelo Executivo.
A declaração foi feita durante visita ao campus Sorocaba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP). O programa ainda está em estudo e pode ser lançado pelo governo nos próximos dias.
Em suas falas, Lula foi direto sobre a motivação da medida. “Não pode tirar o jovem do seu sonho universitário porque está devendo”, afirmou o presidente. Ele também argumentou que profissionais formados melhoram a produtividade do país — justificativa usada para defender a inclusão dos estudantes no programa.
O presidente reconheceu que o endividamento no Fies está crescendo e sinalizou que não quer ver jovens afastados do ensino superior por causa de dívidas acumuladas.
Pacote mais amplo de alívio financeiro
A inclusão dos estudantes do Fies integra um conjunto maior de medidas: o governo estuda liberar até R$ 17 bilhões do FGTS para quitar dívidas de trabalhadores, com duas frentes distintas já detalhadas pelo Ministério do Trabalho. Entenda o plano do governo para liberar o FGTS.
A primeira frente prevê a liberação de R$ 9 bilhões a R$ 10 bilhões voltados a trabalhadores de menor renda, com exclusão de quem recebe salários mais altos — a pasta cita como referência rendimentos na faixa de R$ 20 mil. A segunda medida destina cerca de R$ 7 bilhões a aproximadamente 10 milhões de trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário, foram demitidos e tiveram parte do saldo bloqueada como garantia de empréstimos.
O programa ao qual Lula quer agregar os devedores do Fies prevê unificar todas as dívidas em um único contrato, com juros menores e desconto que pode chegar a 80% para quem ganha até três salários mínimos. Veja como funcionaria o programa de unificação de dívidas.
Endividamento recorde como pressão política
A declaração de Lula ocorre em um momento em que 80,4% das famílias brasileiras têm dívidas ativas — o maior percentual da série histórica —, transformando o endividamento em prioridade política às vésperas de 2026. Leia mais sobre como o endividamento virou pauta eleitoral.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou nesta semana a prioridade do governo com o tema, sinalizando que o pacote deve avançar em breve. A elaboração das medidas partiu de demanda direta do presidente, que tem inserido o assunto com frequência em entrevistas e discursos públicos.
No campo do Fies, o anúncio ainda não tem detalhes definidos — o governo não especificou condições, critérios de renda nem prazo para a inclusão dos estudantes no programa. Ainda assim, o sinal político foi dado: a inadimplência universitária entrou formalmente na agenda do pacote de alívio às famílias brasileiras.
