O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado a Donald Trump nesta sexta-feira (10): se o líder americano soubesse “o que é um nordestino nervoso”, não provocaria o Brasil.
A declaração foi feita durante visita ao novo prédio do Campus Sorocaba do Instituto Federal de São Paulo. Lula evocou sua “descendência com Lampião” como aviso ao rival e reforçou que o país não quer conflito.
A fala foi motivada pelo cenário de tensão global que Trump protagoniza. “O mundo está difícil. O Trump está aí ameaçando todo mundo”, disse Lula, antes de emendar a referência ao cangaceiro pernambucano. “Se ele soubesse da minha descendência com Lampião ele tomava muito cuidado. Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso ele não brigaria com o Brasil.”
Ainda assim, o presidente deixou claro que não há apetite para conflito. “Não queremos guerra. Queremos paz”, afirmou. “Quem quiser guerra, vai para o outro lado do planeta porque aqui somos a terra de paz e do amor. Aqui somos a terra de quem não tem medo de ser feliz.”
Não é a primeira vez que Lula recorre à imagem de Lampião para falar de Trump. No início do ano, já havia feito referência, em tom de brincadeira, ao mesmo “parentesco” com o cangaceiro como razão para o americano evitar provocar o Brasil.
Encontro na Casa Branca segue sem data
Lula e Trump conversaram por telefone em 26 de janeiro e combinaram um encontro em Washington, inicialmente previsto para março. A viagem permanece sem data definida — adiada pelo agravamento da guerra no Oriente Médio e pelas dificuldades em fechar a pauta bilateral, que inclui segurança e combate ao crime organizado.
Para preencher o vácuo diplomático, o Ministério da Fazenda anunciou que está em fase de conclusão uma parceria entre a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP): o Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), voltado à interceptação conjunta de remessas ilícitas de armas e drogas.
O pano de fundo das declarações de Lula é a escalada entre Washington e Teerã. Nesta sexta, Trump voltou a elevar o tom contra o Irã, afirmando que os iranianos “só estão vivos hoje para negociar” e ameaçando reagir caso as conversas fracassem — enquanto o Irã impunha condições para avançar no diálogo.
Representantes dos dois países se reúnem a partir deste sábado (11) no Paquistão, em meio a um cessar-fogo frágil que Teerã afirma já ter sido violado por seus rivais, incluindo Israel. As negociações mediadas pelo Paquistão já estavam em andamento desde março, quando Trump simultaneamente ameaçava destruir usinas iranianas e buscava um acordo.
Na quarta-feira (8), o Itamaraty divulgou comunicado comemorando o cessar-fogo, pediu que os países evitem ações “retóricas” e defendeu a inclusão do Líbano no acordo. O cessar-fogo de duas semanas foi anunciado quando Trump revelou um acordo com 15 pontos e prometeu tarifas de 50% a países que armarem o Irã.
O conflito tem peso econômico global: o Estreito de Ormuz, região controlada pelo Irã e epicentro das tensões, é responsável pelo escoamento de cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
