O Partido Liberal registrou o maior crescimento absoluto de filiados no Brasil durante a janela partidária encerrada em 4 de abril: foram 43.588 novos membros, levando a legenda de Jair Bolsonaro a quase 940 mil integrantes.
Do outro lado, o MDB, maior partido do país, liderou as perdas com 5.062 desfiliações no período. PT e PP também recuaram. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e cobrem o trimestre de janeiro a março de 2026.
A janela partidária — intervalo em que políticos podem trocar de legenda sem perder o mandato — concentra as maiores movimentações do calendário eleitoral brasileiro. Com o primeiro turno de 2026 a seis meses, o retrato traçado pelo TSE revela um reordenamento das forças partidárias.
PL e Missão lideram o crescimento
O PL saiu de 896.026 para 939.614 filiados entre janeiro e março. A campanha de filiações, mantida nas redes sociais e canais institucionais por cerca de dez meses, sustenta a expansão da legenda que hoje tem Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência.
A campanha de filiações do PL vem acompanhada de uma estratégia mais ampla de expansão para 2026: semanas antes, o partido selou a adesão de Sérgio Moro para disputar o governo do Paraná.
O Missão, criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e formalizado pelo TSE em 2025, foi o segundo maior crescimento em termos relativos: alta de 82%, passando de 9.562 para 17.382 integrantes. A base do partido é majoritariamente masculina — 93% dos filiados são homens — e quase todos ingressaram há menos de um ano. São Paulo concentra um terço do total.
O crescimento do PL ocorre em meio a um cenário eleitoral que, segundo a última Quaest, já coloca Flávio Bolsonaro empatado com Lula no segundo turno, com 41% das intenções de voto para cada um. A mesma pesquisa aponta que 56% dos entrevistados não votariam em Lula, e 55% disseram o mesmo sobre Flávio.
Outras siglas menores também cresceram: o Novo somou 3.223 filiados (chegando a 75.680) e a UP ganhou 803, atingindo 13.313 integrantes.
Partidos tradicionais encolhem
O MDB registrou a maior queda em números absolutos: menos 5.062 filiados, ainda que mantenha mais de 2 milhões de integrantes — a maior base do país. Logo atrás aparecem PRD (-3.964), PP (-3.431) e PT (-3.215), que passou de 1.671.885 para 1.668.670 membros.
PDT (-3.156), PSDB (-2.875) e União Brasil (-2.668) também recuaram, assim como PSB, Podemos, PV, Cidadania e outras legendas menores. Apesar das perdas, PT, MDB e PP seguem entre os maiores partidos do Brasil em número de filiados.
No saldo geral, o número de brasileiros filiados a partidos cresceu 21.973 entre janeiro e março, passando de 16.097.237 para 16.119.210, segundo o TSE.
O perfil do PL é de maioria masculina (56%) e filiados antigos: 58% estão no partido há mais de dez anos, enquanto apenas 6% ingressaram há menos de um ano. São Paulo lidera com 170.353 filiados (18% do total), seguido por Minas Gerais (104.532) e Santa Catarina (69.622).
O MDB, apesar das desfiliações, mantém equilíbrio de gênero próximo ao nacional — 51% homens, 44% mulheres — e uma base consolidada: 72% dos filiados estão no partido há mais de dez anos. São Paulo também lidera com 364.388 integrantes, cerca de 18% do total do MDB.
O PT, por sua vez, tem 49% de filiados homens e 42% mulheres, com 66% no partido há mais de uma década. São Paulo concentra 314.836 petistas (19% do total), seguido por Minas Gerais e Bahia.
Jair Bolsonaro, que está preso após condenação por tentativa de golpe de Estado, indicou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência pelo PL. O presidente Lula é pré-candidato à reeleição pelo PT.
