Economia

FMI prevê alta de até US$ 50 bi em pedidos de socorro financeiro pela guerra

Diretora do fundo alerta que choque de oferta em petróleo e gás já comprime o crescimento global e ameaça a segurança alimentar
Impacto econômico da guerra Irã segundo FMI: petróleo, Estreito de Ormuz e crise global

A guerra no Oriente Médio deve empurrar entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões em novos pedidos de apoio financeiro ao FMI nos próximos meses. O alerta veio da diretora-geral do fundo, Kristalina Georgieva, nesta quinta-feira (9), às vésperas das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial.

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, já derrubou 13% do fluxo diário global de petróleo e 20% do gás natural liquefeito — desencadeando um choque de oferta que fez os preços da energia disparar e paralisou cadeias produtivas ao redor do mundo.

Georgieva foi direta: mesmo no cenário mais otimista, o crescimento global será menor do que o projetado em janeiro, quando o FMI estimava expansão de 3,3% em 2026 e 3,2% em 2027. A guerra forçou uma revisão para baixo, que será detalhada no relatório Perspectiva Econômica Mundial na semana que vem.

O fundo deve apresentar múltiplos cenários, de uma normalização relativamente rápida até uma situação em que os preços do petróleo e do gás permanecem elevados por um período prolongado. Em nenhum deles o crescimento fica intacto.

Fome, refinarias e o gargalo do Estreito de Ormuz

Os efeitos em cascata já são visíveis além dos mercados financeiros. Segundo Georgieva, outras 45 milhões de pessoas passarão a enfrentar insegurança alimentar, elevando para mais de 360 milhões o total de pessoas em situação de fome no mundo.

O fechamento de refinarias de petróleo e a escassez de produtos refinados afetam diretamente transporte, turismo e comércio. As interrupções nas cadeias de suprimento também comprometem insumos industriais críticos: enxofre, hélio — essencial para a fabricação de chips — e nafta, matéria-prima para a produção de plásticos. Entre os insumos cujas cadeias de fornecimento estão comprometidas, Georgieva citou hélio e nafta, os mesmos gargalos que analistas já mapeavam desde as primeiras semanas do conflito, como mostrou reportagem do Tropiquim sobre os impactos da guerra além do petróleo.

A incerteza sobre o Estreito de Ormuz resume o grau de imprevisibilidade do cenário. “O fato é que não sabemos realmente o que o futuro reserva para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, nem, por sinal, para a recuperação do tráfego aéreo na região”, disse Georgieva. “O que sabemos é que o crescimento será mais lento, mesmo que a nova paz seja duradoura.”

Cessar-fogo frágil e cicatrizes de longo prazo

Na terça-feira (7), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. A trégua, no entanto, é contestada pelos bombardeios contínuos de Israel ao Líbano, que ameaçam inviabilizar qualquer negociação por uma paz permanente.

Georgieva já havia soado o alarme logo nos primeiros dias do conflito, em março, quando o petróleo começou a escalar e o risco de contaminação inflacionária global se tornava concreto. Agora, a extensão dos danos estruturais começa a ficar mais clara.

A projeção da diretora se apoia em dados históricos que o próprio FMI divulgou na véspera: países em guerra perdem em média 7% da produção em cinco anos, com cicatrizes econômicas que persistem por mais de uma década. Danos à infraestrutura, perda de confiança de investidores e interrupções prolongadas no fornecimento constam entre os fatores que, segundo Georgieva, garantem impacto negativo mesmo no cenário de normalização mais rápida.

A demanda crescente por apoio do FMI reflete, sobretudo, a vulnerabilidade de economias emergentes e em desenvolvimento — as mais expostas ao choque combinado de energia cara, alimentos escassos e financiamento externo mais restrito.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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