O petróleo caiu abaixo de US$ 100 por barril nesta quarta-feira (8), em reação ao anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, condicionado à reabertura imediata do Estreito de Ormuz.
Por volta das 7h26, o Brent recuava 13,7%, para US$ 94,26 o barril. O WTI perdia 16%, chegando a US$ 94,80. O diesel europeu de referência também despencava 17,8%, para US$ 1.256,25 por tonelada métrica.
O anúncio foi feito por Trump nas redes sociais horas antes do vencimento de seu ultimato ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz — passagem por onde transitam 20% do petróleo mundial. A alternativa declarada era um ataque generalizado à infraestrutura civil iraniana.
“Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!”, publicou o presidente norte-americano, em contraste com a ameaça da véspera de que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso suas exigências não fossem atendidas.
Pelo lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, confirmou que Teerã interromperá os ataques se os ataques contra o país também cessarem, com trânsito seguro pelo Estreito garantido por duas semanas em coordenação com as forças armadas iranianas.
Negociações no Paquistão
Araqchi deixou em aberto a perspectiva de restabelecimento do status quo anterior a março. Segundo ele, isso depende da transformação da trégua em paz permanente durante negociações previstas para ocorrer no Paquistão. Nas horas anteriores ao acordo, vários países do Golfo Pérsico relataram lançamentos de mísseis e ataques de drones.
Foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, no fim de fevereiro, que retirou de circulação cerca de 20% do petróleo mundial e deu início à escalada histórica de preços que chegou a superar 50% em março — entenda como o fechamento do Estreito desencadeou a maior alta mensal do petróleo da história.
A queda desta quarta-feira repete o movimento de 23 de março, quando Trump anunciou uma pausa de cinco dias e derrubou o Brent de US$ 113 para abaixo de US$ 101 — mas, naquela ocasião, o Irã desmentiu qualquer negociação em andamento. Veja como o mercado reagiu ao primeiro anúncio de pausa no conflito.
Risco estrutural permanece no radar
Para analistas, o alívio pode ser temporário. “Mesmo com um acordo de paz, o Irã pode se sentir encorajado a ameaçar o Estreito de Ormuz com mais frequência no futuro, e o mercado precificará um risco maior para o Estreito de Ormuz daqui para frente”, avaliou Saul Kavonic, analista da MST Marquee.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã provocou o maior aumento mensal do preço do petróleo da história em março, com alta superior a 50%. O recuo expressivo desta quarta-feira não apaga o impacto acumulado nem dissipa a incerteza sobre a durabilidade do acordo — e sobre o que acontecerá quando os 14 dias de trégua expirarem.
