O dólar abriu esta quarta-feira (8) em queda de 1,39%, cotado a R$ 5,08, impulsionado pelo anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã — acordo que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz e abre caminho para negociações de paz em Islamabad.
O petróleo registrou o impacto mais agudo: o barril do Brent despencou 15,31%, a US$ 92,54, enquanto o WTI caiu 17,26%, a US$ 93,43. Em paralelo, bolsas na Europa, Ásia e nos futuros de Wall Street operavam em forte alta.
Trégua anunciada após ultimato de Trump
Na terça-feira (7), Trump publicou na Truth Social que decidiu suspender temporariamente as ações militares após pedido de autoridades paquistanesas. O presidente havia estabelecido prazo até as 21h (horário de Brasília) para que o Irã aceitasse um acordo e garantisse a reabertura completa da passagem marítima — na véspera, com o prazo se encerrando e o Brent a US$ 110, o mercado operava na expectativa do próximo passo do conflito.
Trump declarou que os objetivos militares dos EUA no Irã já foram alcançados e que as negociações para um acordo definitivo de paz estariam avançadas. Segundo ele, Washington recebeu de Teerã uma proposta com 10 pontos considerada base viável de entendimento, com a maior parte das divergências já superadas.
Irã confirma acordo e condiciona trégua
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou o fechamento do acordo. Ele afirmou que o Irã vai suspender ações defensivas desde que os ataques contra o país também cessem, e acrescentou que, durante o período de trégua, a navegação pelo Estreito de Ormuz será considerada segura, embora com condições.
O acordo, mediado pelo Paquistão, também envolve Israel e, segundo veículos da imprensa israelense, inclui o Líbano. Já no fim de março, o Paquistão havia sinalizado que pretendia sediar as negociações — rodada que agora se concretiza em Islamabad com o cessar-fogo de duas semanas.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, foi o responsável por anunciar o acordo e confirmou que as tratativas ocorrerão na capital do país, com o objetivo de construir um entendimento mais amplo entre as partes.
Bolsas globais disparam com alívio geopolítico
O recuo do petróleo e a trégua no Oriente Médio detonaram um rally nos mercados internacionais. O movimento repete um padrão já visto em março, quando Trump anunciou uma pausa de cinco dias e o Brent despencou mais de 10% em um único pregão.
No pré-mercado americano, os futuros do S&P 500 avançavam 2,7%, os do Dow Jones subiam 2,6% e os do Nasdaq registravam alta de 3,4%. Na Europa, o STOXX 600 avançava 4,05%; o DAX alemão subia quase 5%, o CAC 40 francês ganhava 4,5% e o FTSE 100 britânico avançava 2,9%.
Na Ásia, os mercados fecharam em alta: Nikkei 225 subiu 5,4%, o Kospi sul-coreano avançou 6,9%, o Hang Seng ganhou 3,1% e o Shanghai Composite fechou em alta de 2,7%.
Brasil: Galípolo na CPI e ata do Fed no radar
No cenário doméstico, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou nesta quarta da CPI do Crime Organizado. Investidores também aguardavam a publicação da ata da última reunião do Federal Reserve, que detalha as discussões por trás da decisão de manter os juros nos EUA — dado relevante para calibrar as apostas sobre o próximo ciclo de política monetária americana.
