A Petrobras realizou uma reunião de emergência do Conselho de Administração na tarde de segunda-feira (6) e aprovou a troca do diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser.
No lugar dele, entra Angélica Laureano, que assume o cargo a partir desta terça-feira (7). A mudança ocorre dias após o presidente Lula chamar um leilão de gás promovido pela estatal de “cretinice” e “bandidagem”.
O leilão que desencadeou a crise
O estopim da demissão foi um leilão de gás promovido pela Petrobras no qual distribuidoras pagaram preços muito acima do esperado — valores que seriam repassados diretamente ao consumidor final. Diante do resultado, Lula ameaçou cancelar o certame na semana passada e não poupou palavras ao classificar a operação como uma “cretinice” e uma “bandidagem”.
Na reunião emergencial desta segunda (6), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, revelou aos conselheiros que não tinha conhecimento do leilão antes de sua realização. A declaração foi determinante para que a substituição no comando da diretoria fosse aprovada de forma imediata.
O leilão que gerou a crise começou a ser investigado pela ANP em 2 de abril, quando a agência instaurou ação fiscalizatória para apurar ágios possivelmente acima do Preço de Paridade de Importação — movimentação que antecedeu diretamente a demissão do diretor.
Mudanças em cascata na cúpula da estatal
Na mesma noite em que a troca de diretor foi aprovada, o governo já sinalizava outra mudança na cúpula da Petrobras. O Executivo prepara a indicação de Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, para presidir o Conselho de Administração — vaga aberta após Bruno Moretti deixar o cargo para assumir o Ministério do Planejamento.
Até que a indicação de Mello seja formalizada em assembleia, Marcelo Weick Pogliese conduz o colegiado em caráter interino — função que exercerá até 16 de abril, data da assembleia de acionistas em que o substituto definitivo deve ser eleito.
A sequência de trocas em postos estratégicos da Petrobras em menos de uma semana expõe a tensão entre o governo federal, maior acionista da empresa, e a autonomia da gestão executiva em decisões comerciais. O episódio do leilão de gás revelou uma falha de comunicação interna que custou o cargo a um dos principais diretores da estatal.
