A crise global de energia desencadeada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz é a mais grave já registrada, segundo Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA). Em entrevista ao Le Figaro, ele afirmou que o momento atual supera as crises de 1973, 1979 e 2022 somadas.
O petróleo voltou a bater perto de US$ 110 o barril nesta terça-feira (7), enquanto o prazo dado por Donald Trump para que o Irã reabra a passagem estratégica expira hoje, elevando ainda mais a pressão sobre os mercados internacionais.
Bloqueio de Ormuz e o choque histórico no abastecimento global
O Irã fechou quase totalmente o tráfego no Estreito de Ormuz em resposta a ataques de Israel e dos Estados Unidos — rota por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no planeta. Em meados de março, a IEA já havia classificado a interrupção como a maior corte de fornecimento da história da agência, superando qualquer choque energético anterior registrado pela entidade.
Nos últimos dias, a situação se agravou com novos ataques israelenses a instalações estratégicas iranianas, incluindo o maior campo de gás do mundo e áreas-chave para exportação de petróleo, mantendo o cenário altamente instável.
Para conter a escalada de preços, os 32 países-membros da IEA aprovaram unanimemente, em março, a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas — a maior operação do tipo em 50 anos. Parte desse volume já foi consumida, e o processo continua.
No mês passado, Birol já havia sinalizado publicamente que uma nova rodada de liberações poderia ser acionada caso a crise se aprofundasse — cenário que agora se concretiza com o barril próximo de US$ 110. Leia a análise completa da IEA sobre nova liberação de estoques diante da crise no Irã.
Países em desenvolvimento pagam a conta mais alta
Birol alertou que, embora europeus, japoneses e australianos sejam afetados, as nações em desenvolvimento devem sofrer de forma mais intensa: a alta do petróleo e do gás se traduz em encarecimento dos alimentos e avanço generalizado da inflação — impactos que recaem com mais força sobre populações de menor renda.
Para aliviar a pressão sobre consumidores, a IEA sugeriu medidas práticas, como trabalhar de casa e evitar viagens aéreas. Nos bastidores, a agência tem mantido conversas com autoridades internacionais para coordenar respostas, acompanhar cadeias logísticas e monitorar a demanda global por energia.
Trump pressiona com prazo final ao Irã
O prazo imposto pelo presidente dos EUA para que Teerã reabra o estreito vence nesta terça (7), e o mercado aguarda com apreensão qualquer movimento diplomático ou militar nas próximas horas. O cenário segue volátil, com risco real de novos confrontos mantendo forte pressão sobre os preços da energia em todo o mundo.
