O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deu largada, nesta terça-feira (7), à segunda fase do pagamento de garantias aos credores do Will Bank. Desta vez, o alvo são os 312 mil clientes com saldo entre R$ 1 mil e R$ 250 mil — e o montante total chega a R$ 6,06 bilhões.
Os repasses serão feitos pelo aplicativo do FGC, seguindo o rito da chamada garantia ordinária. O processo representa o maior desembolso do fundo na crise do conglomerado Banco Master.
A liquidação extrajudicial do Will Bank foi decretada pelo Banco Central em janeiro deste ano, encerrando as atividades da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. Na ocasião, o banco declarava cerca de 12 milhões de clientes, com 60% concentrados no Nordeste — em sua maioria residentes de cidades pequenas e de renda média e baixa.
O colapso deixou esses clientes com o dinheiro bloqueado e sem prazo para devolução. A segunda fase atende apenas quem ainda não atingiu o limite global de R$ 250 mil de garantia no conglomerado: credores que já receberam valores do Banco Master, do Master de Investimento ou do Letsbank e esgotaram esse teto não terão direito a ressarcimento adicional pelo Will Bank.
Primeira fase em andamento
A fase inicial dos pagamentos começou em 13 de fevereiro, contemplando clientes com até R$ 1 mil a receber. Até agora, o FGC pagou R$ 126 milhões — 70,84% dos R$ 177,8 milhões estimados para essa etapa.
Em número de beneficiários, 1,145 milhão de credores já receberam os valores, o que corresponde a 18,28% dos 6,269 milhões de pessoas elegíveis à antecipação. O fundo ainda tem uma fila expressiva pela frente antes de encerrar essa fase.
A liquidação do Will Bank foi decretada em janeiro após investigações revelarem um esquema de fraudes de R$ 12 bilhões no Banco Master, que incluía emissão de CDBs sem lastro e fabricação de carteiras de crédito falsas. Fraudes de R$ 12 bi derrubam o Banco Master e mandam Vorcaro de volta à prisão.
O volume dos reembolsos coloca o FGC diante de um esforço financeiro sem precedentes. Para viabilizar os pagamentos, bancos associados precisaram antecipar R$ 32,5 bilhões ao fundo em março — equivalente a cinco anos de contribuições — para recompor o caixa drenado pelas liquidações do conglomerado Master. Bancos antecipam R$ 32,5 bi ao FGC para cobrir rombo do Banco Master.
A crise do Will Bank expôs a fragilidade de modelos de negócio que atraem clientes de baixa renda em regiões menos atendidas pelo sistema bancário tradicional — e a importância do FGC como última linha de defesa para pequenos poupadores. O pagamento da segunda fase, focado em valores maiores, deve avançar ao longo das próximas semanas via aplicativo do fundo.
O FGC é uma entidade privada mantida pelos próprios bancos associados e tem como função garantir depósitos de até R$ 250 mil por CPF por conglomerado financeiro em casos de liquidação ou falência de instituições.
