Política

EUA voltam a bombardear a Ilha de Kharg e escalam ofensiva contra o Irã

Vance confirmou o ataque em Budapeste e anunciou novos bombardeios antes do prazo final imposto por Trump ao regime iraniano
Retrato Trump com mapa Oriente Médio, símbolo bombardeios EUA Ilha de Kharg e escalação geopolítica no Irã

A Ilha de Kharg, responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã, foi bombardeada novamente pelos Estados Unidos nesta terça-feira (7). O ataque faz parte de uma escalada sem trégua no conflito que já dura 39 dias.

Fontes militares de Washington confirmaram a operação às agências Reuters e Associated Press. Cerca de 50 alvos militares foram atingidos, segundo o The Wall Street Journal. A infraestrutura petrolífera da ilha foi poupada.

O vice-presidente americano, J.D. Vance, confirmou o ataque durante discurso em Budapeste, na Hungria, e foi além: afirmou que novos bombardeios virão antes que o prazo dado por Trump ao Irã expire. Até a última atualização desta reportagem, o governo Trump não havia emitido nota oficial sobre a operação.

Há duas semanas, a Casa Branca já havia declarado que as Forças Armadas americanas podiam ‘eliminar Kharg a qualquer momento’ — e o bombardeio desta terça confirma que Washington não estava blefando.

Em 13 de março, Trump já havia bombardeado Kharg pela primeira vez, poupando deliberadamente os oleodutos — decisão que evitou o colapso imediato das exportações de petróleo iranianas. Desta vez, o padrão se repetiu: apenas alvos militares foram atingidos na ilha.

Na terça, porém, os ataques foram além de Kharg. Infraestrutura civil iraniana, incluindo pontes e ferrovias, também foi alvejada. Donald Trump prometeu destruir todas as usinas de energia e pontes do Irã a partir das 21h, no horário de Brasília.

Escalada anunciada, ameaça cumprida

Na semana passada, Trump havia prometido destruir toda a infraestrutura energética e viária do Irã caso Teerã não aceitasse um cessar-fogo — ameaça que começou a ser cumprida nesta terça-feira com os ataques a pontes e ferrovias.

Kharg ficou preservada nas duas primeiras semanas do conflito. A partir de meados de março, a ilha passou a ser alvo recorrente. O padrão dos ataques — militares sem atingir os oleodutos — sugere que Washington ainda tenta calibrar a pressão sem deflagrar um colapso imediato no mercado de petróleo.

Estratégica, Kharg responde por quase toda a capacidade de exportação de crude do Irã. Sua destruição comprometeria diretamente a capacidade do regime de financiar o esforço de guerra — e desencadearia impactos no mercado global de energia.