O imposto sobre encomendas internacionais — popularmente chamado de taxa das blusinhas — gerou R$ 425 milhões aos cofres públicos apenas em janeiro de 2026, conforme dados da Receita Federal.
O resultado representa alta de 25% em relação a janeiro de 2025, quando a arrecadação somou R$ 340,9 milhões. No mesmo período, o número de remessas internacionais recebidas saltou de 11,4 milhões para 15,3 milhões.
Apesar do desempenho fiscal positivo, o governo Lula avalia revogar a medida em pleno ano eleitoral, sob pressão da ala política.
Revogação na mesa em ano eleitoral
Segundo o jornal O Globo, o movimento pela revogação é liderado pelo ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência, e envolve outros setores do governo. Na Câmara dos Deputados, já tramita um projeto de lei que zeraria o imposto sobre compras de até US$ 50 feitas no comércio eletrônico internacional — o que na prática encerraria a taxa das blusinhas.
A taxa das blusinhas tem sido uma das peças da estratégia fiscal do governo: em fevereiro, a arrecadação federal atingiu R$ 222 bilhões, o maior valor para o mês em 32 anos de série histórica. No acumulado de todo o ano de 2025, apenas esse imposto rendeu um valor recorde de R$ 5 bilhões, contribuindo para o cumprimento da meta fiscal.
O programa Remessa Conforme, criado para regularizar as encomendas internacionais, já conta com 50 milhões de brasileiros cumprindo obrigações tributárias pelas empresas habilitadas, segundo dados do Fisco divulgados em fevereiro.
Alckmin defende proteção ao emprego
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que não tem participado do debate sobre a revogação, mas reiterou sua defesa histórica do tributo. Para ele, a taxa protege a produção, o emprego e a renda no país — argumento que não inclui o viés arrecadatório da medida.
Alckmin deixou a pasta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta semana para disputar a reeleição na chapa do presidente Lula em 2026.
Indústria e Correios: os dois lados da balança
O imposto foi instituído em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, como resposta a demandas da indústria nacional. A alíquota de 20% passou a incidir sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então eram isentas para empresas participantes do Remessa Conforme.
A medida foi sancionada pelo presidente Lula, apesar de ele próprio ter classificado a decisão como “irracional” à época. O impulso veio da indústria, que apontava desequilíbrio tributário entre produtos nacionais e importados nas plataformas digitais — desvantagem amplificada pelo crescimento do comércio eletrônico transfronteiriço durante a pandemia.
No início de 2025, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) avaliou que a taxa contribuiu para a manutenção de milhares de empregos no setor.
Por outro lado, os Correios — parte da logística das remessas internacionais — acumulam prejuízos em meio a uma forte crise financeira, agravada pela mudança no fluxo de encomendas provocada pela taxação.
