Os Estados Unidos retiraram, nesta quarta-feira (1º), o nome de Delcy Rodríguez da lista americana de sancionados, consolidando a virada diplomática entre Washington e Caracas.
A presidente interina da Venezuela teve seu nome eliminado da Lista de Nacionais Especialmente Designados do Departamento do Tesouro — a mesma lista em que estava inscrita desde setembro de 2018, quando atuava como braço direito de Nicolás Maduro.
Em menos de três meses no poder, Rodríguez passou de alvo da agência antidrogas americana (DEA) a líder reconhecida pelo governo Trump — uma reviravolta sem precedentes nas relações bilaterais.
O que muda com a retirada da lista
A exclusão de Rodríguez da Lista de Nacionais Especialmente Designados — elaborada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) — significa que pessoas físicas e empresas americanas voltam a poder estabelecer relações econômicas e financeiras com ela. A lista reúne indivíduos e entidades de países considerados hostis e é atualizada regularmente pelo Departamento do Tesouro americano.
A medida integra um movimento mais amplo: em menos de três meses, Washington suspendeu grande parte das sanções setoriais contra Caracas, com foco especial no setor de energia. O mecanismo adotado mantém, porém, o controle americano sobre as receitas: o dinheiro das exportações de petróleo venezuelano é depositado em conta supervisionada pelo próprio Departamento do Tesouro.
O modelo já era conhecido: em março, ao liberar a compra de ouro venezuelano, o Tesouro americano adotou o mesmo mecanismo agora aplicado ao petróleo — receitas depositadas em fundo sob supervisão de Washington.
Reformas que pavimentaram o caminho
Ao assumir a presidência interina sob pressão de Washington, Rodríguez implementou rapidamente mudanças que agradaram ao governo Trump. A abertura do setor de hidrocarbonetos ao investimento estrangeiro foi elogiada pelo presidente americano. Ela também promoveu anistia política exigida pela oposição e substituiu figuras-chave no governo e no aparato de segurança do Estado.
Rodríguez assumiu a presidência interina em um processo iniciado em março, quando EUA e Venezuela formalizaram o restabelecimento das relações diplomáticas rompidas desde 2019 — e Trump a escolheu publicamente para conduzir a fase de estabilização do país.
Em postagem no X, Rodríguez comemorou a decisão e foi além: pediu que a medida se estenda ao conjunto das sanções ainda vigentes contra o país. “Confiamos em que este avanço permita a suspensão das sanções vigentes sobre o nosso país, que permita edificar e garantir uma agenda de cooperação binacional efetiva em benefício dos nossos povos”, declarou a presidente interina.
A suspensão das sanções individuais contra Rodríguez acompanha uma sequência acelerada de reaproximação: dois dias antes, Washington havia anunciado a reabertura de sua embaixada em Caracas, fechada há sete anos.
O caminho percorrido por ela foi incomum. Durante anos, Rodríguez foi alvo de investigações da DEA como parte da pressão americana sobre o governo de Maduro. A situação mudou radicalmente com sua chegada ao poder: poucos dias após assumir o cargo, recebeu em Caracas o diretor da CIA, John Ratcliffe. No mês passado, Trump formalizou o reconhecimento de seu governo como legítimo.
Com a retirada individual das sanções, o próximo passo aguardado por Caracas é a suspensão das medidas restritivas que ainda pesam sobre o país como um todo — horizonte que a própria Rodríguez já sinalizou como expectativa para as próximas semanas.
