Economia

BRB se antecipa e pede ao STF garantia de reparação em delações do caso Master

Sem precedente na jurisprudência brasileira, pedido preventivo foi protocolado antes de qualquer acordo ser assinado pelos investigados
BRB no primeiro plano ante STF: BRB reparação delação caso Master em ação preventiva

O Banco de Brasília (BRB) protocolou pedido no Supremo Tribunal Federal para que eventuais acordos de delação premiada no caso Master determinem a reserva de recursos destinados a cobrir os prejuízos sofridos pelo banco.

O movimento é inédito: não há registro anterior de pedidos preventivos nesse sentido em processos de delação no Brasil. A própria instituição reconhece que agiu de forma antecipada — nenhum acordo foi assinado até agora pelos investigados.

O pedido cita a lei que disciplina a delação premiada e o Código Penal. O BRB sustenta que “eventuais valores recuperados devem observar a priorização da reparação dos prejuízos causados às partes lesadas” — uma interpretação que, se aceita pelo STF, colocaria o banco na frente da fila em qualquer negociação que envolva ressarcimento.

Embora não haja precedentes para um pedido dessa natureza, o BRB justifica a iniciativa como medida de cautela diante da incerteza sobre o andamento das investigações. A estratégia visa proteger o patrimônio do banco público do Distrito Federal antes que qualquer acordo com os investigados avance.

Balanço atrasado e pressão no mercado

O pedido ao STF acontece em meio a uma semana turbulenta para o banco: na terça-feira (31), o BRB já havia anunciado que não publicaria o balanço de 2025 no prazo legal, expondo-se a multas da CVM e a um novo golpe em sua imagem no mercado. A instituição não informou data prevista para a divulgação dos dados.

A legislação brasileira exige que todas as instituições financeiras divulguem suas demonstrações financeiras do ano anterior até o fim de março. O BRB alegou necessidade de concluir uma investigação interna antes de publicar os números.

A urgência em garantir reparação nas delações fica mais clara quando se considera a dimensão do rombo: o conselho do banco já propôs captar até R$ 8,86 bilhões para cobrir as perdas acumuladas nas operações com o Master. A captação foi apresentada como alternativa para sanear o déficit gerado pelo colapso da instituição de Daniel Vorcaro.

O presidente do BRB, Nelson de Souza, explicou que a publicação do balanço foi adiada porque, sem a conclusão da apuração interna, poderiam faltar informações sobre os responsáveis pelos prejuízos — e os números também poderiam sair incorretos. Segundo ele, a situação foi formalmente comunicada ao Banco Central.

O Conselho de Administração da instituição, instância máxima do banco, já sinalizou que deve divulgar até esta quinta-feira (2) a convocação para uma assembleia geral marcada para 22 de abril — encontro que deverá pautar os próximos passos diante da crise.

Vorcaro e o risco de delação no horizonte

A movimentação do BRB no STF não veio do nada: Daniel Vorcaro já havia sinalizado à Polícia Federal interesse em fechar um acordo de delação premiada — o que pode ter motivado o banco a se antecipar e garantir prioridade na fila de reparações. A sinalização foi noticiada duas semanas antes do pedido ao STF e indicou que Vorcaro prometeu não poupar ninguém no eventual acordo.

Se o acordo se concretizar, o BRB espera que o STF já tenha em mãos a solicitação formal de prioridade — garantindo que os recursos eventualmente devolvidos cheguem ao banco antes de qualquer outra destinação.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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