O Banco de Brasília (BRB) anunciou, na noite desta terça-feira (31), que não publicará o balanço consolidado de 2025 dentro do prazo legal. Pela legislação brasileira, todas as instituições financeiras têm até as 23h59 de hoje para divulgar suas demonstrações do ano anterior.
Em entrevista, o presidente Nelson de Souza explicou que publicar as contas antes do fim da investigação interna em andamento poderia resultar em números incorretos e omitir informações sobre os responsáveis pelas irregularidades. O Banco Central já foi notificado da decisão.
Em comunicado de “fato relevante” enviado a acionistas e ao mercado, o BRB formalizou a postergação e justificou a decisão pela necessidade de concluir a apuração interna — diretamente ligada às operações com o Banco Master que acumularam prejuízos à instituição.
O presidente Nelson de Souza adiantou que o Conselho de Administração deve divulgar ainda nesta semana a convocação de uma assembleia para 22 de abril, onde acionistas aguardam a votação sobre a capitalização e alguma sinalização concreta de como o banco pretende cobrir o rombo do Master.
Consequências regulatórias
Ao descumprir o prazo, o BRB terá de prestar esclarecimentos ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As regras da CVM preveem multa diária pelo atraso — os valores são modestos, mas o impacto sobre a imagem do banco pode ser mais severo.
Se a infração ultrapassar 12 meses, o registro do BRB como companhia aberta — condição que permite negociar ações em bolsa — pode ser suspenso pelos reguladores.
O atraso chega em momento de fragilidade acumulada. Há menos de duas semanas, a S&P rebaixou o BRB para “brB-” após o colapso jurídico do plano de capitalização — e o atraso no balanço adiciona mais uma camada de incerteza sobre a saúde financeira do banco.
O mercado esperava que as demonstrações financeiras viessem acompanhadas do pacote de soluções para o rombo do Master, expectativa que ficou sem resposta depois que o BRB cancelou a assembleia de capitalização em março e agora posterga também a divulgação das contas.
A não publicação dentro do prazo tende a ampliar a volatilidade dos papéis ligados ao banco e a pressionar a confiança de investidores e analistas. No mercado financeiro, volatilidade mede a frequência e intensidade das oscilações de valor de um ativo — para o BRB, a incerteza acumulada já se traduz em percepção de risco crescente.
