O presidente americano Donald Trump fez nesta segunda-feira (30) novas ameaças ao Irã, prometendo destruir usinas de energia e a ilha de Kharg caso Teerã não aceite um acordo de cessar-fogo “em breve”.
A escalada verbal ocorre enquanto os dois países mantêm negociações indiretas mediadas pelo Paquistão — e o próprio Trump afirmou ao Financial Times, no domingo, que um acordo poderia ser fechado “rapidamente”.
As ameaças incluem a destruição das usinas de geração de energia elétrica e a tomada do principal terminal de exportação de petróleo iraniano. O presidente americano chegou a dizer que seu Exército “poderia pegar o petróleo no Irã”, numa escalada que representaria novo patamar no conflito, agora no segundo mês.
Na mesma declaração, Trump afirmou que um “novo e mais razoável” regime está no comando do Irã — afirmação sem embasamento: não há indicações de mudança de regime em Teerã, mesmo com os assassinatos de autoridades de alto escalão ao longo da guerra. Essas mortes foram celebradas publicamente pelo próprio Trump nas duas primeiras semanas do conflito.
Kharg responde por 90% das exportações de petróleo iraniano. Os EUA já bombardearam o terminal em 13 de março, mas Trump poupou então a infraestrutura petrolífera, condicionando essa decisão ao comportamento iraniano no Estreito de Ormuz. Agora, ameaça destruí-la de vez.
Irã rejeita proposta americana
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, classificou as propostas americanas de “fora da realidade, desproporcionais e excessivas” e questionou se Washington leva as negociações a sério.
A retórica de Trump passou por transformações notáveis desde o início do conflito: nas primeiras semanas, o presidente americano exigia a rendição incondicional do Irã e anunciava uma fase “ainda mais devastadora” dos bombardeios — agora apresenta o mesmo cenário como abertura para um acordo.
As conversas indiretas ocorrem com intermediação do Paquistão. No domingo, Trump disse ao Financial Times que as negociações estavam “avançando bem”, contradizendo a avaliação iraniana de que as propostas americanas são inaceitáveis.
