O Plano de Desligamento Voluntário (PDV) dos Correios acumula 2.347 adesões — apenas 23% da meta de 10 mil saídas previstas para 2026. Os números foram divulgados pela estatal na manhã desta segunda-feira (30).
Diante do baixo interesse, os Correios prorrogaram o prazo de adesão para 7 de abril. O programa faz parte de um amplo plano de reestruturação anunciado no fim de 2025 para enfrentar uma crise financeira de proporções históricas.
Uma crise de quatro anos em números
A situação financeira dos Correios deteriorou progressivamente desde 2022, quando a empresa registrou prejuízo de R$ 700 milhões. Em 2024, o déficit saltou para R$ 2,5 bilhões. O resultado de 2025 ainda não foi oficialmente apurado.
Para manter as operações, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos. Em 2026, já recebeu R$ 10 bilhões desse total — operação que só foi viabilizada com garantia do Tesouro Nacional. A empresa admite que pode precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo do ano.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, alertou que o resultado negativo de 2026 pode chegar a R$ 23 bilhões se o ciclo de perdas não for interrompido — o que torna o PDV peça central da estratégia de sobrevivência da estatal.
A baixa adesão agrava um cenário financeiro já crítico: semanas antes, o governo havia anunciado um aporte de capital direto para 2027 e avaliava novo empréstimo bilionário para sustentar a operação dos Correios. Leia mais sobre o aporte e o novo empréstimo planejado.
Reestruturação vai além dos desligamentos
O programa de reestruturação prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de cerca de mil das aproximadamente 5 mil agências. A meta é economizar R$ 2 bilhões por ano a partir de 2027.
Para ampliar a adesão, os Correios passaram a incluir a expansão regional do Plano Família da Postal Saúde como incentivo — fator citado como justificativa para a prorrogação do prazo até 7 de abril.
A situação cria um paradoxo institucional: enquanto o PDV tenta reduzir 15 mil funcionários, os Correios prorrogaram até 2027 a validade de um concurso com 3.511 vagas aprovadas que ainda não foram convocadas. Entenda a situação do concurso dos Correios.
O modelo econômico-financeiro da empresa, segundo Rondon, deixou de ser viável. O PDV — que funciona como um acordo de saída consensual, diferente de demissões unilaterais — é apontado como um dos principais pilares para reverter 12 trimestres consecutivos de prejuízo.
