O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, reagiu nesta segunda-feira (30) à decisão do PSD de lançar Ronaldo Caiado como candidato à Presidência da República. Em publicação nas redes sociais, o gaúcho afirmou estar “desencantado” e disse que a escolha do partido mantém “a radicalização polarizada no Brasil”.
Leite não citou o nome do governador de Goiás em nenhum momento do texto. A confirmação oficial de Caiado estava prevista para as 16h, em coletiva na sede do PSD em São Paulo.
A reação encerra a campanha interna de Leite no PSD, na qual se apresentava como o único pré-candidato de centro do partido. Leite havia oficializado sua pré-candidatura semanas antes, posicionando-se como alternativa à polarização que agora, na sua avaliação, o PSD optou por aprofundar ao escolher Caiado.
Nas semanas que antecederam a decisão, o governador gaúcho viajou a São Paulo para articular sua candidatura, descartou ser vice em qualquer das chapas apresentadas e também rejeitou concorrer ao Senado pelo Rio Grande do Sul. Antes de deixar a capital paulista, garantiu que continuaria no governo do RS caso não fosse escolhido pelo partido.
Apoio de economistas e números nas pesquisas
O projeto de Leite ganhou peso quando Pérsio Arida — um dos criadores do Plano Real — e Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso, anunciaram preferência pelo governador gaúcho na disputa interna.
Nas pesquisas, porém, Leite aparecia em terceiro entre os pré-candidatos do PSD. Na Quaest de março, Ratinho Junior liderava com 7% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Ronaldo Caiado com 4% e Eduardo Leite com 3%.
Na semana passada, após encontro com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, Leite havia afirmado que Caiado seria candidato de um grupo que “já tem representante” — sinalizando, sem nomear, a aproximação do governador goiano com o campo bolsonarista. Em entrevista à GloboNews, Leite argumentou que a alta rejeição a Lula e Bolsonaro abria espaço real para um candidato de centro — raciocínio que, segundo ele, a escolha de Caiado pelo PSD ignora.
O caminho até a escolha de Caiado passou pela saída de Ratinho Junior, governador do Paraná, que era o pré-candidato do PSD com melhor desempenho nas pesquisas. Na semana passada, ele anunciou desistência, alegando intenção de retornar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação fundado pelo pai, o apresentador Ratinho. Ratinho Junior está no segundo mandato consecutivo no Paraná e está impedido de disputar o governo estadual em 2026.
Nos bastidores, o senador Rogério Marinho (PL), coordenador de campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, havia se encontrado com Ratinho Junior e pedido sua desistência e apoio ao filho do ex-presidente.
O perfil que Leite critica ficou claro quando Caiado prometeu anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelo 8 de Janeiro — bandeira que, para o gaúcho, representa exatamente a radicalização que ele diz querer superar.
Com o fim da disputa interna, Leite deve permanecer à frente do governo do Rio Grande do Sul, como havia prometido caso não fosse escolhido pelo PSD.
