O mercado financeiro voltou a revisar para cima sua estimativa de inflação para 2026. De acordo com o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central, a projeção para o IPCA subiu de 4,17% para 4,31% — o terceiro aumento consecutivo.
A causa é externa: a guerra no Oriente Médio fez o barril de petróleo superar US$ 100, com potencial de pressionar o preço dos combustíveis no Brasil e, por consequência, a inflação doméstica.
Com o petróleo operando acima de US$ 100 nesta segunda-feira, analistas do mercado antecipam repasse ao preço da gasolina e do diesel — itens com peso relevante no cálculo do IPCA. É o caminho pelo qual a guerra no Oriente Médio chega ao bolso do consumidor brasileiro.
Se a projeção de 4,31% se confirmar, a inflação oficial de 2026 ficará abaixo do índice registrado no ano anterior, de 4,26%. Ainda assim, permanecerá acima do centro da meta. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo tolerada entre 1,50% e 4,50%.
Juros, câmbio e PIB
Mesmo diante da pressão inflacionária, o mercado manteve a aposta em novos cortes na Selic. A taxa está em 14,75% ao ano, após o primeiro recuo em quase dois anos, autorizado pelo Banco Central na semana passada. O cenário externo adverso, porém, deve tornar o ciclo de afrouxamento mais cauteloso do que o esperado.
A projeção para o câmbio ao fim de 2026 permaneceu estável em R$ 5,40, e para 2027, em R$ 5,45. Já a estimativa de crescimento do PIB para 2026 subiu marginalmente, de 1,84% para 1,85%, enquanto a projeção para 2027 foi mantida em 1,8%.
O resultado oficial do PIB de 2025 foi expansão de 2,3%, segundo o IBGE. O crescimento veio freado pela Selic elevada e já trazia o alerta de que o conflito no Oriente Médio ameaçava as projeções para este ano — risco que o Focus desta semana começa a precificar com mais clareza.
Uma revisão que o mercado já antecipava
A trajetória ascendente do IPCA não surpreendeu analistas atentos às últimas semanas. Quando o barril ultrapassou US$ 100 pela primeira vez, o mercado recuou nas apostas por cortes maiores da Selic e revisou o IPCA de 3,91% para 4,10% — movimento que o Focus desta segunda confirma com mais uma rodada de ajuste para cima.
O cenário também havia sido mapeado pelo Ministério da Fazenda. A pasta projetou que, com o barril a US$ 100, a inflação brasileira ultrapassaria 4% — e o Focus desta semana crava exatamente isso, ao registrar 4,31%.
Para o consumidor, o efeito mais direto é a perda de poder de compra. Quando os preços sobem mais rapidamente do que os salários, são os trabalhadores de menor renda os primeiros a sentir o impacto no orçamento do dia a dia.
