Saúde

IBGE revela que meninas são mais vulneráveis à tristeza e violência na adolescência

PeNSE 2024 mostra índices 2,5 vezes piores para meninas em saúde mental, imagem corporal e exposição a violência
Adolescentes abraçadas em momento de apoio: a saúde mental de meninas adolescentes em foco no estudo IBGE

Uma em cada três adolescentes brasileiras está insatisfeita com o próprio corpo. Quatro em cada dez se sentem tristes na maioria dos dias. São dados da PeNSE 2024, pesquisa nacional do IBGE divulgada na quarta-feira (25), que traçam um retrato urgente sobre a saúde das meninas nas escolas do Brasil.

A pesquisa ouviu mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos de redes pública e privada em todo o país. Em quase todos os indicadores avaliados — saúde mental, percepção corporal e exposição à violência —, as adolescentes aparecem em situação significativamente mais crítica do que os meninos.

Saúde mental e imagem corporal

O índice de tristeza entre as meninas é o dado que mais chama atenção: 41% relataram se sentir tristes na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa — proporção 2,5 vezes maior do que entre os meninos (16,7%). A vulnerabilidade emocional se estende a outros sentimentos negativos mapeados pela pesquisa.

Na percepção corporal, o contraste é igualmente marcante: 36,1% das adolescentes se declaram insatisfeitas ou muito insatisfeitas com a própria imagem, o dobro do registrado entre os meninos (18,2%). Enquanto eles tendem a buscar ganho de peso, 31,7% das meninas tentam emagrecer e 21% se percebem como gordas ou muito gordas — frequentemente com uma percepção distorcida da própria aparência.

Violência e exposição a abusos

Os dados de segurança expõem as adolescentes como principais vítimas de múltiplas formas de violência. No ambiente escolar, 30,1% relataram humilhações frequentes por colegas; no digital, 15,2% sofreram cyberbullying. A violência sexual aparece em números que impressionam: 26% afirmaram ter sofrido assédio sexual — como toques ou exposição forçada — e 11,7% disseram ter sido obrigadas a ter relações sexuais.

A PeNSE 2024 identificou cerca de 1,1 milhão de adolescentes que já foram forçados a ter relações sexuais no Brasil, com meninas representando a maioria esmagadora das vítimas. O ambiente digital amplifica essa exposição: levantamento do Unicef revelou que 3 milhões de jovens brasileiros sofreram alguma forma de violência sexual mediada por tecnologia em apenas um ano.

Pobreza menstrual e evasão escolar

Em sua edição de 2024, a PeNSE trouxe pela primeira vez dados sobre dignidade menstrual. Dados da mesma pesquisa mostram que 1 em cada 6 alunas da rede pública perdeu aulas por falta de absorvente, com o Amazonas registrando o maior índice do país — 27,9%. No geral, 15% das adolescentes deixaram de ir à escola ao menos um dia no último ano por esse motivo.

Apesar de políticas de distribuição de absorventes existirem, barreiras burocráticas ainda dificultam o acesso para meninas em situação de vulnerabilidade. A falta de infraestrutura adequada nas escolas — como banheiros com privacidade e acesso à água — agrava o problema, que segue cercado por tabus culturais.

Desigualdade estrutural por trás dos dados

Para Gabriela Mora, especialista do Unicef no Brasil, os números da PeNSE não refletem questões individuais. Violência de gênero, assédio online, pobreza menstrual e padrões estéticos inalcançáveis estão entre os fatores estruturais que explicam os piores indicadores das meninas. “Não se trata de um drama individual de cada menina, mas de uma questão social que ainda precisa ser enfrentada para que meninos e meninas vivenciem a adolescência de forma mais equilibrada e saudável”, afirma a especialista.

Do lado masculino, a socialização em torno de modelos de masculinidade que valorizam o controle emocional e restringem a expressão de sentimentos também impacta a saúde mental dos meninos — embora de forma diferente. Esse contraste molda relações afetivas marcadas por ciúmes, controle e dinâmicas de exposição nas redes sociais, com efeitos para ambos os grupos.

Mora defende que a escola tem papel central nesse cenário: além de espaço de aprendizagem, pode funcionar como ambiente de proteção e de identificação precoce de situações de risco. Sinais como isolamento, mudanças de comportamento e sofrimento emocional precisam ser levados a sério por famílias e educadores, com acolhimento sem julgamento.

A especialista também defende que meninas sejam prioridade nas políticas públicas, com garantia de direitos, proteção contra violências e oportunidades reais de participação social. “Tudo isso mostra o quão urgente é que as políticas públicas olhem para as meninas como prioridade, reservem orçamento para políticas que impactem seu desenvolvimento e fomentem espaço e liderança delas”, conclui.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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