Um estudo do Brookings Institution divulgado nesta quarta-feira (25) concluiu que as tarifas impostas por Donald Trump em 2025 tiveram efeito mínimo sobre o PIB dos Estados Unidos — oscilando entre uma alta de 0,1% e uma queda de 0,13% —, mas geraram arrecadação recorde e concentraram o custo sobre os consumidores americanos.
Entre 80% e 100% das sobretaxas foram repassadas aos preços pagos no varejo. Apenas uma fração do ônus ficou com os exportadores estrangeiros.
O que os números revelam
As tarifas médias dos EUA saltaram de 2,4% para 9,6% em 2025 — o maior patamar em 80 anos. O impacto macroeconômico, porém, foi amortecido porque cerca de 57% das importações americanas continuam isentas, graças a acordos comerciais e exceções para energia e eletrônicos.
A arrecadação foi expressiva: as tarifas renderam US$ 264 bilhões ao governo federal no ano passado, equivalente a 4,5% das receitas totais — mais que o dobro da média de 1,6% registrada na última década.
O estudo aponta que, apesar do efeito reduzido sobre o consumo agregado, houve uma transferência de custos dos consumidores para produtores, parcialmente compensada pelo aumento da arrecadação e por ganhos salariais em setores específicos.
China recua, déficit não cede
A participação chinesa nas importações dos EUA despencou de 23% em 2017 para apenas 7% no fim de 2025. Parte do volume, no entanto, foi simplesmente redirecionada para fornecedores de outros países, sem reduzir o déficit comercial americano.
Os pesquisadores também não encontraram evidências de que as tarifas tenham fortalecido a produção industrial, criado empregos no setor manufatureiro — objetivos centrais declarados pelo governo ao anunciar as medidas. O impacto dos novos acordos comerciais firmados pelo governo ainda não está claro e pode alterar esse quadro no médio prazo.
PIB cresceu, mas desacelerou
O PIB americano encerrou 2025 em US$ 30,62 trilhões, com crescimento de 2,2% — abaixo dos 2,8% registrados em 2024. A desaceleração ocorreu justamente no período em que as tarifas estavam em pleno vigor, embora o estudo não estabeleça relação de causalidade direta entre os dois movimentos.
No campo jurídico, a Suprema Corte dos EUA decidiu, no mês passado, por 6 votos a 3, que Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A maioria dos ministros concluiu que a lei de 1977 não autoriza o presidente a criar sobretaxas unilateralmente, mesmo em situações consideradas excepcionais.
A derrota na corte forçou o governo a buscar novos caminhos: o governo Trump abriu investigações contra 16 países com base na Seção 301, uma rota juridicamente mais sólida para aplicar novas tarifas sem depender da IEEPA.
