Política

Irã cobra pedágio no Estreito de Ormuz e aprofunda crise energética global

GCC denuncia regime de taxas pagas em yuan; barril Brent bate US$ 104, alta de 40% desde o início da guerra
Composição visual do regime de pedágio no Estreito de Ormuz com mapa de rotas marítimas e barris de petróleo bruto

O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) acusou o Irã, nesta quinta-feira (26), de cobrar taxas de navios para garantir travessia segura pelo Estreito de Ormuz — passagem estratégica por onde circulam cerca de 20% do petróleo e gás natural comercializados no mundo.

Jasem Mohamed al-Budaiwi fez a declaração em coletiva de imprensa em Riad, tornando-se o primeiro alto funcionário a denunciar publicamente o esquema. Especialistas apontam que embarcações estariam pagando em yuan chinês para obter o direito de passagem.

Regime de pedágio de fato

A consultoria Lloyd’s List Intelligence classificou o sistema iraniano como um “regime de pedágio de fato”. Segundo a empresa, as embarcações precisam fornecer manifestos de carga, dados de tripulação e destino às forças iranianas, que realizam verificação de sanções, alinhamento de cargas e triagem geopolítica antes de autorizar a travessia.

As agências iranianas Fars e Tasnim, próximas à Guarda Revolucionária, citaram o parlamentar Mohammadreza Rezaei Kouchi afirmando que o Parlamento trabalha para formalizar legalmente a cobrança — o que transformaria a prática informal em política de Estado.

O GCC reúne seis países árabes do Golfo: Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Com controle rígido sobre o tráfego no estreito — que liga o Golfo Pérsico ao oceano aberto —, o Irã tem bloqueado embarcações que considera ligadas aos esforços de guerra dos EUA e de Israel, permitindo passagem limitada às demais.

Antes de formalizar a cobrança de taxas, o Irã havia instalado minas navais no estreito, medida que já havia praticamente paralisado as exportações pela rota e elevou o nível de alerta das marinhas ocidentais.

Há duas semanas, a Guarda Revolucionária havia declarado controle absoluto sobre o estreito — o que agora se consolida no regime de pedágio denunciado pelo Conselho de Cooperação do Golfo.

Petróleo em alta e pressão diplomática

O controle iraniano sobre o tráfego marítimo e os ataques contínuos à infraestrutura energética do Golfo elevaram o barril de petróleo tipo Brent para US$ 104 na manhã desta quinta — alta superior a 40% desde o início do conflito. Temores de uma crise global de energia crescem à medida que a saída diplomática perde força.

“Para deixar absolutamente claro: esta guerra é uma catástrofe para as economias do mundo”, afirmou o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, durante visita à Austrália — um dos primeiros líderes ocidentais a usar o termo catástrofe econômica de forma direta.

Com Irã e Estados Unidos endurecendo posições e as tentativas de cessar-fogo dando sinais de esgotamento, o cenário permanece volátil. Quando o barril chegou a US$ 120, Trump chegou a cogitar assumir o controle militar do estreito — posição que ressurge agora diante da consolidação do regime de pedágio iraniano e do novo patamar de preços.