Os preços do petróleo operam em queda nesta quarta-feira (25) com o avanço das expectativas de um possível cessar-fogo no conflito com o Irã.
Segundo as agências Reuters e AP, o Paquistão entregou a Teerã uma proposta elaborada pelos Estados Unidos — um plano de 15 pontos que prevê limitações ao programa nuclear e de mísseis iraniano, fim do apoio a grupos aliados na região e garantias de navegação no Estreito de Ormuz.
Donald Trump afirmou que há avanço nas tratativas. O governo iraniano, porém, nega qualquer negociação direta e diz que Washington “negocia consigo mesmo”.
O que está na proposta americana
O plano de cessar-fogo tem 15 pontos e foi entregue pelo Paquistão, que se posicionou como mediador no conflito. Entre as condições propostas pelos EUA estão limitações ao programa nuclear e ao arsenal de mísseis do Irã, o encerramento do apoio iraniano a grupos aliados no Oriente Médio e a garantia de livre navegação pelo Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de um quinto de toda a oferta global de petróleo.
O documento prevê ainda a possibilidade de alívio nas sanções econômicas impostas ao Irã, o que seria um incentivo concreto para Teerã sentar à mesa. A Turquia também é citada como possível apoiadora do processo de mediação, mas nenhum encontro oficial foi confirmado entre as partes.
Mercados reagem à sinalização diplomática
A perspectiva de distensão impulsionou o apetite por risco global. As bolsas europeias avançaram nesta quarta-feira, com o índice STOXX 600 subindo cerca de 1,4%. Os rendimentos dos títulos públicos recuaram, especialmente em países mais dependentes de energia importada, como a Itália.
Mesmo com o recuo recente, os preços do petróleo ainda refletem os efeitos de um dos maiores choques energéticos dos últimos anos. O Estreito de Ormuz segue com restrições operacionais, mantendo elevado o risco de interrupções no fornecimento global.
Cinco dias antes, o barril Brent havia disparado a US$ 119 após ataques iranianos no Oriente Médio, mas já recuava com declarações americanas sobre possível suspensão de sanções ao petróleo iraniano — sinal de que o mercado vinha reagindo a cada movimento diplomático desde então, como mostra a cobertura do Tropiquim sobre o recuo do barril após os acenos dos EUA em relação às sanções ao Irã.
Especialistas alertam que ainda é cedo para apostar em uma queda sustentada nos preços. O CEO da BlackRock, Larry Fink, advertiu que o barril pode chegar a US$ 150 caso o conflito se intensifique — um cenário que, segundo ele, poderia desencadear uma recessão global.
O impacto já se faz sentir no cotidiano: a volatilidade do preço do petróleo pressiona diretamente os combustíveis e, por tabela, os custos de transporte e produção em toda a cadeia econômica brasileira.