O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro à inelegibilidade, mas isso não deve tirá-lo da corrida ao Senado em 2026.
Em publicação no X nesta terça-feira (24), ele afirmou ter recebido a decisão com “inconformismo” e anunciou que buscará todos os meios legais para reverter a medida.
Castro seguirá na disputa sub judice — candidatura provisoriamente válida enquanto os recursos ainda aguardam julgamento definitivo no TSE e no STF.
Na prática, o status sub judice permite que Castro faça campanha e receba votos normalmente. O risco, porém, é real: caso a condenação seja confirmada nos tribunais superiores, o candidato não poderá assumir o cargo — mesmo se eleito.
Para que esse cenário não se concretize de forma silenciosa, o TSE e o STF precisarão dar prioridade ao julgamento dos recursos antes do pleito, evitando que o eleitorado vote em um nome cuja situação jurídica permanece indefinida.
A tentativa de renúncia antecipada, estudada pela defesa como manobra para extinguir o processo por falta de objeto, não impediu o TSE de prosseguir com o julgamento. O placar final foi de 2 a 1 pela condenação — Nunes Marques foi o único a votar contra a inelegibilidade, mas sua divergência não alterou o resultado.
Antes de ser formalizado como pré-candidato ao Senado pelo Partido Liberal (PL), Castro já acumulava tensões dentro da legenda. A disputa interna ganhou novo capítulo com a condenação.
Antes mesmo da condenação, aliados de Castro já desconfiavam que Flávio Bolsonaro havia abandonado o governador — e o nome de Felipe Curi como candidato ao Senado circulava nos bastidores do PL desde então. Após a decisão do TSE, essa articulação veio a público.
Delegado e ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Curi deixou o cargo na sexta-feira (20) de olho nas eleições de 2026. A princípio, ele se candidataria a deputado federal, mas aliados de Flávio Bolsonaro o veem com mais viabilidade para o Senado após a derrocada de Castro.
Curi também chegou a ser cotado para governador na eleição tampão, que ocorrerá dentro de um mês após a renúncia de Castro.
O delegado ganhou projeção nacional com a Operação Contenção, deflagrada em outubro de 2025. A ação investigou integrantes do Comando Vermelho com 180 mandados de busca e apreensão e 100 prisões. Considerada a mais letal da história do Rio, a operação resultou em 122 mortos — cinco deles policiais.
