Política

Lula tem até hoje para sancionar PL Antifacção sob pressão por veto

Entidades alertam que texto pode criminalizar moradores de periferia e suspender direitos de presos sem condenação definitiva
Presidente Lula enfrenta pressão para sanção PL Antifacção crime organizado pela Câmara

O prazo para o presidente Lula sancionar o PL Antifacção termina nesta terça-feira (24). Segundo a agenda presidencial, a assinatura deve ocorrer — mas não foi confirmado se haverá veto a algum trecho.

O projeto endurece penas e cria novos crimes para organizações criminosas, com punições que podem chegar a 40 anos de prisão. A versão enviada à sanção, porém, gerou reação de entidades da sociedade civil, que pressionam pelo veto de dispositivos considerados inconstitucionais.

O PL Antifacção foi uma das bandeiras do governo na área de segurança pública, enviado pelo Executivo ao Congresso. A proposta acabou relatada na Câmara pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), da oposição — o que gerou críticas à versão final aprovada.

O texto define “organizações criminosas ultraviolentas”, nomenclatura que contrariou o governo, que preferia o termo “facções criminosas”. A proposta restringe a progressão de regime para membros desses grupos, amplia instrumentos de investigação e cria tipos penais específicos para ações de facções. Não altera a Lei Antiterrorismo nem as atribuições da Polícia Federal — pontos que chegaram a ser cogitados em versões anteriores do relatório.

O que contestam as entidades

A Rede Justiça Criminal, que reúne nove organizações ligadas à segurança pública, denuncia que o projeto promove uma “automatização de prisões” capaz de atingir quem não está no comando do crime — moradores, famílias e movimentos sociais.

Entre os pontos mais criticados está um artigo que suspende os direitos políticos de presos sem condenação definitiva. Para a rede, a medida viola a Constituição e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, que garante o direito ao voto em eleições por sufrágio secreto.

As entidades também questionam a amplitude das penas e a vagueza das definições. “Tipos penais abertos, prisões automáticas e vedações absolutas não atingem igualmente todos os estratos sociais — atingem, sobretudo, aqueles cujas defesas perante o poder punitivo são mais frágeis”, afirmaram em nota.

A Rede Justiça Criminal e a Conectas Direitos Humanos levaram as críticas para além das fronteiras brasileiras. Em manifestação enviada à ONU, as organizações apontaram a falta de diálogo com a sociedade civil e o trâmite considerado apressado — e alertaram que o texto vai na “contramão das diretrizes internacionais de direitos humanos”.

As entidades pedem veto à proibição de visitas íntimas na Lei de Execução Penal para processados e condenados com base na futura lei. Também contestam a manutenção da audiência de custódia preferencialmente por videoconferência, medida que classificam como ataque a um instrumento essencial de combate à tortura e de verificação da legalidade de prisões.

O PL Antifacção chega à sanção presidencial em meio a uma agenda legislativa de segurança pública mais ampla: semanas antes, a Câmara havia aprovado a PEC da Segurança, que também prevê penas agravadas para líderes de organizações criminosas e abre caminho para a suspensão de direitos políticos de presos provisórios — justamente um dos dispositivos mais contestados pelas entidades no texto enviado a Lula.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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